Polícia faz megaoperação e prende 62
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terça-feira, 18 de agosto de 1998
Valmir Denardin 
Uma megaoperação da Polícia Civil contra a criminalidade deteve ontem 62 pessoas em favelas de Foz do Iguaçu. Até o final da tarde, a polícia continuava fazendo a triagem do grupo. Só deveria permanecer detido quem tivesse mandado de prisão expedido.
O arrastão envolveu 60 policiais e foi comandado pelo delegado Ricardo Noronha, chefe da Central de Operações Policiais Especiais (Cope), vinculada ao comando da Polícia Civil do Estado. Além do delegado, 20 dos policiais foram enviados de Curitiba. Os demais trabalham na 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu.
Christian RizziSem documentosA dona de casa Tereza Marques procurava o filho adotivo Jorge Alves da Silva, preso no arrastãoA megaoperação foi iniciada às 6 horas, em favelas na margem do Rio Paraná, que divide Brasil e Paraguai. Distribuídos em grupos, os policiais bloquearam todos os acessos às favelas. O objetivo era prender criminosos, principalmente traficantes de drogas e assaltantes, e fugitivos da Cadeia Pública da cidade.
Foram presas pessoas que não tinham documentos ou eram consideradas suspeitas pelos policiais. A megaoperação foi encerrada às 11 horas. Em um balanço parcial, a polícia divulgou ter apreendido duas pistolas 9 milímetros, um revólver calibre 38, uma espingarda garrucha e três espingardas de pressão, além de cocaína, maconha e crack (cujas quantidades não haviam sido apuradas) e equipamentos supostamente roubados. O balanço final da operação deverá ser divulgado hoje.
No arrastão, a polícia utilizou um informante não-identificado que circulou pelas favelas próximas ao Rio Paraná encapuzado. A função desse homem era apontar aos policiais pessoas supostamente envolvidas com o tráfico de drogas.
Segundo o delegado Noronha, uma nova operação deverá ser realizada hoje à tarde. A equipe do Cope deverá permanecer em Foz do Iguaçu pelo menos até o final da semana.
No dia 10 de outubro do ano passado, uma operação da Polícia Civil para reprimir o tráfico de drogas na Favela Monsenhor Guilherme - um dos locais visitados ontem -, resultou na morte de quatro rapazes, três deles menores de idade. A versão policial sustenta que houve reação. Segundo testemunhas, os quatro foram executados. Os oito policiais e o delegado acusados continuam trabalhando e o processo contra eles ainda não foi concluído.


