Polícia faz busca em cafezal, mas ossada de bebê não é encontrada
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segunda-feira, 29 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
Porecatu A trabalhadora rural Maria das Dores da Silva, que afirma ter matado cinco filhos recém-nascidos, foi levada ontem pelo delegado de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina), Manoel Pelisson, até ao cafezal onde ela diz que enterrou um dos bebês, em 1998. No local apontado por ela, cerca de um quilômetro próximo da entrada de Lupionópolis (101 km ao norte de Londrina), existem agora plantações de mandioca em meio ao cafezal, o que dificultou o trabalho dos policiais. Apesar de não terem encontrado a ossada, enterrada há quatro anos, segundo ela, em um buraco de cerca de 30 centímetros, Pelisson não tem dúvida de que os infanticídios foram mesmo cometidos.
Maria das Dores está presa em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), acusada de assassinar a pauladas o barbeiro Manoel Hipólito dos Santos, 67 anos, no início deste mês. O corpo do barbeiro, que estava desaparecido havia três dias, foi encontrado por policiais civis na fossa da casa dela. Do outro lado da casa, na semana passada, a Polícia empreendeu buscas em local indicado por ela e achou a ossada que pode ser de um bebê, do lado oposto onde Santos tinha sido enterrado. A ossada está no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina e deve ser analisada nos próximos dias. Maria das Dores tem dois filhos vivos, de dez e oito anos, que vivem em Lupionópolis, com a avó.
Segundo Pelisson, os ossos do recém-nascido podem ter sido revolvidos nas capinas feitas na plantação, ou ainda terem sido arrastados do sítio por algum animal. Para o delegado, mesmo que as outras ossadas não sejam mais encontradas, existe o corpo de um bebê jogado no lixão, em 1999. Na ocasião, informa, foi aberto um inquérito, mas a falta de pistas sobre a mãe da criança levou ao arquivamento. Foram colhidas amostras do corpo para futuras investigações, explica. Com a suspeita de que Maria das Dores seja a mãe, um exame de DNA deverá ser solicitado à Justiça.
A Polícia Civil de Matão (SP), cidade onde Maria das Dores afirma ter matado dois bebês, em 1994 e 1995, foi informada do depoimento e deve entrar nas investigações. Segundo Pelisson, Maria das Dores é acusada de esfaquear o pai da filha T., de oito anos, quando morava em Matão. O delegado vai ouvir nos próximos dias Elenira Ferreira de Souza, mãe de Maria das Dores. Elenira, que sofre de paralisia parcial, disse à Folha que percebia mudanças no corpo da filha, mas não percebia as gestações, explicada por Maria das Dores como sendo anemia ou cisto no ovário. Após depoimento dos familiares e resultado do laudo do IML, o delegado deverá concluir o inquérito e encaminhar para o Ministério Público de Centenário do Sul.


