Polícia faz barreiras no Rio Paraná
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
UMUARAMA - A Polícia Militar iniciou esta semana uma barreira nas margens do Rio Paraná para evitar o retorno do gado ao arquipélago de Ilha Grande. Mais 40 homens devem ser destacados nos próximos dias para garantir o cumprimento da liminar concedida no início do mês passado - quando as ilhas estavam cobertas por causa da cheia - pelo juiz da 1ª Vara Cível de Umuarama, João Luiz Cleve Machado. O fazendeiro que descumprir a ordem pode ser preso e pagar multa diária de R$ 500,00.
Segundo o major Avelino José Novakoski, do 7º Batalhão da Polícia Militar, em Cruzeiro do Oeste, não está descartado o envio de mais homens para a região ribeirinha. Vários pontos de observação 24 horas estão sendo montados nos municípios de Altônia, São Jorge do Patrocínio e Vila Alta, todos banhados pelo Rio Paraná. Juntos, esses municípios formam um consórcio que trabalha na preservação do arquipélago, elevado a estação ecológica no final de 95 pelo governo do Estado.
Até agora, segundo Novakoski, o trabalho das equipes que no rio e nas ilhas é tranquilo. Não encontramos ninguém transportando animais, disse. A operação deve durar 30 dias mas, de acordo com o major, pode ser estendida por mais tempo. Os policiais estarão em carros e barcos num trecho de aproximadamente 100 quilômetros.
Para os ambientalistas, o gado é o principal inimigo das ilhas. Cerca de 70% da área terrestre do arquipélago foi devastada depois da introdução dos animais, há cerca de 8 anos. Matas centenárias foram derrubadas para dar lugar a pastagens, ameaçando ainda mais algumas espécies em extinção. Até o final de 96, perto de 5 mil bovinos e bubalinos eram mantidos em 20 propriedades nas ilhas. A posse de terra no arquipélago é irregular.
PeixesNos próximos dias, começa um novo trabalho no arquipélago. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está organizando um arrastão para salvar peixes encalhados nas lagoas formadas com a cheia do rio.
Quando a situação estiver normalizada, o que deve acontecer nos próximos 15 dias, as lagoas vão desaparecer e os peixes poderão morrer. Vamos levar os exemplares e os alevinos para as lagoas fixas nas próprias ilhas, disse Geraldo Magela, chefe interino do IAP em Umuarama.


