A Polícia Federal em Londrina realizou ontem a maior apreensão de crack do Paraná (112 quilos, que poderiam render até três vezes mais) edesbaratou uma quadrilha de tráfico de drogas que agia no Norte do Estado. As prisões começaram anteontem à meia-noite, com a apreensão de 110 quilos de crack puro (narcótico produzido a partir da pasta-base da cocaína), que seriam levados para São Paulo por Lucivaldo Miranda Messias e Antônio Duca Messias. A ação foi no posto fiscal Charles Naufal, em Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio).
Ontem, durante a manhã, equipes de policiais federais prenderam o restante da quadrilha em vários municípios. O ex-prefeito de Guaraci (72 km ao norte de Londrina), José Morandi - considerado um dos cabeças da quadrilha - e o filho dele, Marcelo Morandi - piloto de avião que transportava a droga -, foram presos na fazenda da família em Guaraci. Na propriedade foram encontrados dois pacotes com dois quilos de crack em embalagens semelhantes a apreendida na noite anterior.
Gilberto Monteiro, outro chefe da quadrilha, foi preso em Maringá no apart-hotel em que mora. Também foram detidos o irmão de Gilberto, Gidson Monteiro, conhecido como Poli, e Guerino Cerci. Os dois acusados de distribuir a droga para São Paulo. A PF também vai ouvir, por precatória, José Nicki, do Mato Grosso do Sul, responsável pela contratação da quadrilha para distribuir a droga.
O delegado-chefe da PF em Londrina, José Roberto Morel, disse que policiais estavam investigando a ação da quadrilha desde o dia 9, quando foram informados que Gilberto Monteiro, fugitivo da cadeia de Jundiaí (SP) por tráfico de drogas, estaria escondido em Maringá. ‘‘Começamos a investigar neste dia o envolvimento dele na região’’. No dia 15, foi apreendida uma carga de 91,8 quilos de cocaína em Cornélio Procópio, transportada por Jovelino Teodoro Ribeiro.
Durante as investigações, acompanharam o desembarque em pistas clandestinas nos muncípios de Inajá, Lobato e Guaraci mais três vezes, sem conseguir prender a quadrilha. ‘‘O avião, prefixo PT-KOH, foi visto várias vezes desembarcando a droga. Por ter muitas pistas clandestinas na região e muitas estradas secundárias, ficou difícil a gente conseguir prendê-los’’, disse Morel. Todos os carregamentos de drogas, que vinham da Bolívia, eram levados a São Paulo para um traficante identificado somente por Xuxa.
José Morel disse que na próxima etapa das investigações serão checadas todas as ligações telefônicas dos traficantes e de José Nicki para ver o envolvimento deles na quadrilha. Entre os quadrilheiros, somente Gidson Monteiro não tem passagens anterior pela polícia. José e Marcelo Morandi, segundo Morel, já foram autuados por contrabando de eletro-eletrônicos e os demais respondem a processos por tráfico de drogas.
José Morandi negou envolvimento com o tráfico, dizendo que a droga encontrada na casa dele foi colocada pela polícia. ‘‘Isso foi armação política, que vou revelar mais para a frente’’, comentou, afirmando que o político é um importante deputado federal da região. Marcelo afirmou ter uma firma de aviação agrícola no Pará e que o avião, prefixo PT-KOH, seria levado por ele para ser usado como táxi-aéreo em garimpos da região.
Gilberto Monteiro não aparentava preocupação numa antesala da Polícia Federal. Ele disse ser inocente e que não tinha qualquer envolvimento com Morandi. ‘‘Eu o conhecia, pois fui criado em Guaraci. Porém, não conversava com ele’’. Monteiro garantiu estar morando num apart-hotel em Maringá, aguardando que o advogado dele ‘‘resolva o problema da fuga em Jundia풒.

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