Polícia fala em
marketing da
insegurança
Na opinião do chefe de Gabinete, Planejamento e Relações Públicas da Polícia Nacional do Paraguai em Ciudad del Este, Antonio Ibarra Colmán, o aumento na procura pela segurança privada é mais fruto de uma boa campanha de marketing do que um reflexo do recrudescimento da violência. Na última terça-feira, ele concedeu a seguinte entrevista à Folha:
Folha - Na sua opinião, qual é o motivo do aumento da segurança privada?
Antonio Ibarra Colmán - Os seguranças não podem portar arma de fogo, não podem deter pessoas, só podem atuar na prevenção de qualquer ato criminoso. A segurança só pode ser feita dentro da propriedade. Da calçada para fora, é competência da Polícia Nacional. A segurança privada existe não porque haja insegurança, mas para reforçar a segurança, porque estamos em uma região de fronteira.
Folha - Não seria devido à deficiência na atuação da Polícia Nacional?
Colmán - É o que comercialmente se diz. Mas não há ninguém para dar segurança como a polícia. A insegurança é uma imagem que se vende à população para que ela contrate um guarda privado. A polícia faz o possível, dentro dos limites, para combater a delinquência.
Folha - Há empresas atuando sem autorização da Polícia Nacional?
Colmán - Todas estão autorizadas. Se encontramos uma empresa não autorizada, seu responsável é preso por transgredir a lei. Temos registradas cinco empresas de segurança.
Folha - Qual é o processo de seleção dos seguranças privados?
Colmán - As empresas têm que apresentar documentos: nome, quantidade de pessoas, antecedentes policiais, judiciais. Os seguranças só são admitidos se não tiverem antecendentes.

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