Polícia exuma suposto corpo de desaparecido
Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Na presença de familiares (pai, mãe e irmã), foi feita ontem no cemitério de Jaguapitã, a exumação do possível corpo de Eliseo Gonçalves Figueiredo, desaparecido desde 25 de dezembro de 1996. Natural de Rolândia, onde foi visto pela última vez, ele era, segundo declaração dos familiares, usuário de cocaína e teria sido morto por causa de dívidas com traficantes. O corpo, exumado pelo Instituto Médico-Legal de Londrina, foi encontrado em fevereiro de 97 nas margens do Rio Bandeirantes, em Jaguapitã.
Como a data em que o corpo foi encontrado coincide com a do desaparecimento, além da estatura, familiares e polícia acreditam que tenham, finalmente, esclarecido o desaparecimento de Eliseo. Foram levados para exames o crânio com uma visível perfuração de bala e a arcada dentária. O resultado deve sair em 15 dias.
A exumação foi marcada por falhas. Assim que a polícia e os familiares chegaram, o coveiro Vergílio João Viana, que há 20 anos trabalha no cemitério de Jaguapitã, indicou a cova que havia enterrado Eliseo. Depois de mais de meia hora escavação chegaram a um corpo. O médico legista Antônio Carlos de Queiróz, logo percebeu que não era o cadáver que procuravam. Criou-se um mal-estar. Osana Figueiredo não se conteve: Além de enterrarem meu irmão como indigente, nem o coveiro sabe onde está o corpo.
Um funcionário foi até a prefeitura e buscou um livro de registro dos óbitos. Novamente foram retomadas as escavações. Também não era o corpo procurado. Somente na terceira cova se chegou ao possível corpo de Eliseo. A família ficou confusa. A foto que a polícia fez quando o corpo foi achado, tenho plena certeza que é do Eliseo, mas se eles não sabem direito onde enterraram o corpo não posso ter certeza de que os órgãos levados para exame sejam dele. Prefiro aguardar o resultado do IML, disse o pai, Antonio Figueiredo. A mãe, Arlinda Figueiredo, acha que pode ter encontrado o filho.





