Polícia estoura pontos de tráfico
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Investigadores da Divisão de Narcóticos (Dinarc) da Polícia Civil do Paraná apresentaram ontem 17 pessoas que teriam sido presas em flagrante distribuindo drogas no Centro de Curitiba. Os presos seriam responsáveis pela comercialização de 27 mil pedras de crack por mês no anel central da capital paranaense. Eles atuavam em três locais estratégicos e vendiam as pedras, segundo a polícia, a R$ 10 cada. A operação, batizada de ''dissimulação'', filmou por dois meses a atuação dos supostos traficantes e apreendeu um total de 183 gramas de crack, o equivalente a 3,2 mil pedras.
Dos 17 presos em flagrante, nove são mulheres. Elas atuariam como prostitutas e venderiam a droga nas imediações da Praça Tiradentes, marco zero de Curitiba. ''Tínhamos dificuldades de identificar essas pessoas porque a viatura chegava e as prostitutas engoliam a droga. Tivemos que fazer um trabalho de inteligência, filmando a comercializando da droga e identificando paulatinamente os principais distribuidores de crack da região central'', explicou ontem o delegado Alberto Dib Júnior, chefe da Dinarc.
Três foram identificados como os gerentes do tráfico na região central: Claudecir Rosa de Oliveira, de 26 anos, que tinha passagens anteriores por tráfico de drogas e associação ao tráfico; Marcos José da Silva, 31, com passagem por receptação de material furtado, tráfico de drogas e associação ao tráfico; e Silvina de Oliveira, 25, com passagens por tráfico de drogas e associação ao tráfico. ''Com o material que temos contra eles, dificilmente não haverá denúncia e condenação'', pontuou Dib.
Os traficantes que fornecem os distribuidores não foram identificados. Existem informações de que eles atuam em vários bairros da periferia de Curitiba, como Vila das Torres, Cajuru, Parolim e Bairro Alto. ''Estamos trabalhando no enfraquecimento das pernas do tráfico em Curitiba. Temos certeza que, com essas prisões, conseguimos desarticular o tráfico pelo menos por enquanto'', afirmou Dib.
De dezembro até agora, seis inquéritos policiais foram instaurados. Três bocas de fumo foram desativadas e 106 prisões foram efetuadas. Os presos alegaram ontem que não tiveram direito de defesa. Oliveira, apontado de ser gerente do tráfico, negou que tenha sido preso em flagrante. Ele foi abordado quando conversava com uma prostituta no Largo da Ordem. No carro dele, a polícia encontrou 83 gramas de crack. ''Eu nunca trabalhei com droga. Isso foi plantado no meu carro'', argumentou.


