Polícia estoura ''fábrica'' de notas falsas
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terça-feira, 02 de março de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O endereço na Rua Benjamim Constant, no Centro de Londrina, a menos de 100 metros da 10 Subdivisão Policial deveria estar acima de qualquer suspeita. Porém, uma denúncia anônima feita à Polícia Militar e ao Grupo Especial de Combate ao Narcotráfico (Gecon) culminou com a prisão de dois homens, na manhã de ontem, que teriam montado no local uma ''fábrica'' de notas falsas de R$ 10 e vinha atuando há pelo menos três meses.
No apartamento, os policiais encontraram uma linha de produção, considerada de grande porte pela Polícia Federal (PF). Ali foram apreendidas 350 cédulas prontas para serem desovadas, 62 folhas de papel cada uma com quatro cédulas impressas e outras 37 folhas com mais duas cédulas impressas em cada. Além disso, foram apreendidos equipamentos eletrônicos usados na falsificação um computador com programas específicos para confecção de cédulas de real, um scanner e duas impressoras além de três carimbos utilizados para falsificar a marca d'água existente das cédulas verdadeiras, um telefone celular e outros materiais que estariam sendo usados pelos suspeitos. Cerca de R$ 300 em dinheiro verdadeiro também foram apreeendidos.
Segundo o investigador do Gecon, José Marcio Ilkiu, os dois suspeitos o artífice Paulo Roberto da Rocha, 48 anos, e o serralheiro José Valdério Aires Gama, 34 vinham sendo monitorados há dez dias. De acordo com ele, a falsificação consistia na impressão, em folhas de papéis separadas, das faces de cédulas de R$ 10,00. Em seguida, eram feitas as marcas d'água no verso das cédulas. Então as duas partes eram coladas e cortadas com estiletes. De acordo com o policial, os suspeitos ainda amassavam as as notas com ajuda de um cilindro de metal, para dar a impressão de usadas. Os dois suspeitos presos atuavam juntos na fabricação das notas falsas, mas segundo Ilkiu, Gama era quem detinha os conhecimentos gráficos e de computação que conferiam boa qualidade a falsificação.
Os suspeitos e todo o material apreendido foram encaminhados para a Delegacia da PF. O delegado federal de plantão, Kandy Takahashi, considerou que são grandes falsificadores, que usavam processos elaborados na confecção das notas falsas. De acordo com ele, anteontem teriam sido entregues R$ 1,5 mil em notas falsas em uma sorveteria no Jardim Interlagos (Zona Leste), que funcionaria como centro de distribuição. De acordo com Takahashi, os suspeitos negociavam três notas falsas pelo valor de uma verdadeira.
Segundo o delegado federal, além de Londrina, os falsários também distribuiam cédulas falsas na região. Takahashi disse que a produção deveria aumentar nos próximos dias, já que os suspeitos tinham o interesse de desovar notas falsas durante a 44º Exposição Agropecuária de Londrina, que começa em abril. Sem citar nomes, Takahashi apontou que as investigações continuam, já que um dos líderes da quadrilha continuaria solto. Os dois presos deverão responder por falsificação de moeda e por possuir apetrechos para o crime.


