O secretário de Segurança Pública Rubens Abrahão Tanure afirmou que a Polícia Militar do Paraná está de prontidão na região Noroeste para evitar mais problemas na luta pela terra. ‘‘Nossa PM de todo o Estado está atenta e mandamos reforços para a região Noroeste’’, garantiu o secretário. Sexta-feira, dois sem-terra e um pistoleiro foram mortos em conflitos armados em Querência de Norte (113 km de Paranavaí) e Laranjal (140 km de Guarapuava).
Tanure deve ir para a região de Querência do Norte amanhã ou terça-feira. O secretário não acredita que os fatos tenham conexão. ‘‘Foram conflitos isolados’’.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) da região Noroeste, Marcos Menezes Prochet, afirmou ontem que as três mortes, anteontem, nos campos do Paraná ‘‘são responsabilidade exclusiva do governador Jaime Lerner (PFL) e do Incra’’. ‘‘O Lerner é covarde e omisso, porque tendo o monopólio do poder sobre a Segurança Pública, não cumpre as ordens da Justiça para desocupação das áreas invadidas’’, criticou Prochet.
De acordo com ele, a tensão entre os fazendeiros e os integrantes do MST é consequência direta da ‘‘má-f钒 dos técnicos do Incra. ‘‘As tais áreas improdutivas são fabricadas por estes técnicos irresponsáveis’’, afirmou. Na opinião dele, novos confrontos ainda poderão ocorrer em Querência do Norte.
Em Laranjal, o policiamento foi reforçado. Havia expectativa de novos momentos de tensão para o final da tarde de ontem, quando seriam sepultados os corpos do sem-terra José Rodrigues, 25 anos, e do pistoleiro Nelson Pinto Guimarães, 22, conhecido como ‘‘Polaco’’. Os dois sepultamentos estavam marcados para às 18 horas, no Cemitério Municipal de Palmital.
Rodrigues e Guimarães morreram no assentamento do Incra na Fazenda Pedra Branca. O confronto aconteceu anteontem, quando um grupo de sem-terra que estava na primeira parte do assentamento decidiu ocupar o restante da área, que está sub júdice. Quando os sem-terra chegaram no local, houve conflito com os pistoleiros. O arrendatário da área litigiosa, Antonio Martins, está foragido.
Desde ontem de manhã, cerca de 60 famílias sem-terra que estavam na primeira parte do assentamento ocuparam a área onde houve o conflito. Revoltados, os sem-terra não permitiram a retirada do corpo do pistoleiro na tarde de anteontem. O corpo só foi retirado do acampamento e levado para o Instituto Médico-Legal na madrugada de ontem, depois de muita negociação entre o delegado adjunto de Guarapuava Sidnei Martins Leal e os sem-terra.

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