Um caminhão carregado com 750 quilos de dinamite - carga suficiente para destruir dois quarteirões de área construída - foi encontrado pela Polícia Civil de Foz do Iguaçu, na noite de anteontem, abandonado à margem do Lago de Itaipu, no município de Missal (80 km ao norte de Foz). O flagrante aconteceu depois de uma denúncia anônima feita por telefone.
De propriedade da empresa Nitrobrasil Química, de Cruzeiro (SP), o Mercedes Benz furgão modelo 1620 foi roubado em Sumaré (SP) quando se dirigia para Limeira (SP), onde parte da carga seria comprada por uma pedreira.
O motorista que transportava a dinamite, Luis Flávio de Oliveira, 42 anos, disse em depoimento à Polícia Civil paulista que foi amordaçado, encapuzado e amarrado próximo a uma estrada rural de Jundiaí (SP) por quatro assaltantes, que não foram identificados e não deixaram pistas. Oliveira disse ainda ter sido obrigado a se embriagar, ingerindo um litro de cachaça, o que provocou o esquecimento de muitos detalhes do episódio.
Segundo informações passadas pela Nitrobrasil, os policiais chegaram à conclusão de que desapareceram cerca de 100 quilos de explosivos, 200 detonadores e 2 mil metros de cordão detonante. Peritos do Exército certificaram a autenticidade dos explosivos e prepararam um relatório sobre o incidente.
Segundo as investigações preliminares feitas pela equipe do 1º Distrito Policial e pelos policiais paulistas, a dinamite seria transportada de barco até a margem paraguaia do lago. A polícia trabalha com a hipótese de que os explosivos seriam vendidos a grupos terroristas internacionais.
De acordo com os policiais, a organização e o planejamento da ação revelam que o crime teria sido tramado há pelo menos um mês. Além de retirar todas as identificações externas do caminhão, como pintura e adesivos, existem indícios de que o grupo teria sido avisado sobre a chegada da polícia.
O caminhão foi encontrado com as portas abertas, a chave no contato e com o tanque cheio de combustível, o que indica fuga recente. ‘‘Iremos trocar informações com a polícia paulista para esclarecer todos os detalhes’’, informou Altino Remi Guber, delegado do 1º Distrito Policial.

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