Curitiba - A mistura de crack, álcool e a vida nas ruas acabou causando a morte com requintes de crueldade de seis integrantes de um grupo de andarilhos que perambulava no Bairro Capão Raso, em Curitiba. Motivados por disputas por cachaça, favores sexuais e vingança, as mortes dentro do grupo foram se sucedendo desde novembro do ano passado até maio deste ano. A cada assassinato, velas com o número de integrantes restantes no grupo eram acesas em volta do cadáver pelos andarilhos.
Segundo a polícia, o grupo era liderado por Luiz Edson Aguiar Valente, o ''Luiz Colinha'', de 31 anos. Onze pessoas passaram pela gangue, sendo que três foram presas por equipes do 8º Distrito Policial. ''Alguns vinham de famílias estáveis, mas que não tinham recursos para pagar um tratamento para viciados em drogas. Aí eles acabavam indo pras ruas e, por proteção, se juntavam ao grupo'', afirmou o delegado do 8º DP, Hertel Rehbein.
Proteção, entretanto, era o que menos se tinha no grupo. Segundo o delegado, os assassinatos aconteciam de noite, quando os integrantes estavam alterados pelas drogas e álcool. ''Eram desentendimentos por causa de cachaça ou porque um queria ter relações homossexuais com o outro. Só que o grupo inteiro participava dos crimes. Passados algum dias, algum integrante mais amigo de uma das vítimas queria se vingar, e logo acontecia outro crime'', explicou Rehbein.
Apesar dos crimes, os andarilhos continuavam andando em grupos. ''É uma tendência do ser humano, de se reunir em grupos. Eles tinham inclusive suas próprias leis. Os integrantes mais novos, por exemplo, eram forçados a dar alguma roupa melhor que tivessem, colares, ou até prestar favores sexuais para os outros'', relatou o delegado.
A polícia conseguiu prender Soler Gonçalves e Luiz Colinha. Este último é acusado de participar ativamente de quase todos os assassinatos. A prisão dos dois se deu graças à captura de Valmir Aparecido Bonfim, de 21 anos, após um crime cometido no dia 31 de maio. Quando foi preso, Bonfim afirmou ainda sob o efeito de entorpecentes que teria matado sozinho Joaquim Otávio de Andrade porque ele teria tentado manter relações sexuais a força. Após passar o período de abstinência do crack, Bonfim contou aos policiais como os crimes aconteciam.
Agora, os policiais do 8º distrito procuram José Bendito Teixeira Colaço e Djalma Moura da Silva. Além da morte de Andrade, Rehbein afirmou que o grupo foi o responsável pelo morte de Luiz Carlos Fracaro, Edson Luiz Drever Fagundes, Heitor dos Santos e Domingos Gonçalves, todos andarilhos.

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