Dimitri do Valle
O administrador de empresas Charles de Albuquerque Autran, 38 anos, foi preso ontem pela manhã em sua casa, no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba, por agentes do serviço reservado da Polícia Militar. Ele teve prisão preventiva decretada pelo juiz Fernando Novaes, da Central de Inquéritos. O administrador é acusado de assassinar a ex-mulher, a dentista Rosane de Fátima Albuquerque Autran, 34 anos, em dezembro do ano passado no bairro Champagnat. Autran, que está preso na Prisão Provisória do Ahú, nega as acusações.
Segundo o Ministério Público, o administrador tentou forjar a ocorrência de um suicídio dentro do apartamento de Rosane. O promotor Paulo Kessler sustenta que o homicídio foi motivado por causas passionais. O acusado havia se separado judicialmente da mulher há três anos. Natural de Recife (PE), onde trabalhava na empresa Xerox do Brasil, Autran decidiu regressar à Curitiba no ano passado. Ele alugou um apartamento ao lado do prédio da ex-mulher. ‘‘A alegação era para ficar mais perto da filha’’, disse o promotor.
Mesmo separada, a ex-mulher tinha sua vida controlada e era constatantemente vigiada. Chegava a receber ameaça de morte caso viesse a ter um novo relacionamento amoroso. Na véspera de sua morte, em 7 de dezembro de 98, Rosane chegou a comentar com os vizinhos que o ex-marido estava ‘‘alucinado’’. No mesmo dia, ela trocou a fechadura da porta do apartamento. A modificação não adiantou muito.
Rosane foi encontrada morta dentro de uma banheira na manhã do dia 8 de dezembro. O pescoço estava suspenso por um cabo de tevê preso ao chuveiro. Autran foi o primeiro a entrar na cena do crime e alertou os vizinhos que a ex-mulher havia se suicidado. Os elementos levantados pela promotoria comprovaram o contrário. ‘‘Os ferimentos do pescoço eram característicos de estrangulamento’’, disse o promotor.
O depoimento de testemunhas também foi decisivo para elucidar o mistério. Kessler contou que Autran foi ao prédio na noite de 7 de dezembro para falar com Rosane. Como haviam pessoas no apartamento da ex-mulher, o administrador ficou conversando com o porteiro, alegando que Rosane, síndica do prédio, estava fazendo a contabilidade do condomínio. O promotor descobriu que o sub-síndico foi ao apartamento da vítima apenas para entregar uma pouco de sopa e nenhuma decisão sobre as contas tinha sido comentada.

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