Polícia e vereadores apóiam Centro de Detenção na zona sul
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Vereadores e representantes das polícias Civil e Militar, Casa de Custódia de Londrina (CCL) e Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) reuniram-se ontem pela manhã para discutir a construção do Centro de Detenção Provisória e concordaram que a obra deve sair na zona sul da cidade.
A prefeitura descarta a possibilidade de ceder um terreno na zona oeste para a construção do centro, como sugeriu o secretário do Estado de Justiça e Cidadania, Aldo José Parzianello. Até ontem, o secretário ainda não havia recebido uma posição oficial do prefeito. Parzianello informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que poderá acatar a decisão do município, caso o terreno ao lado da CCL se mostre adequado.
A opção pela zona oeste justificada pelo alto índice de criminalidade na região era corroborada pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina (VEP), Roberto do Valle, que não compareceu à reunião de ontem. ''Preciso trabalhar, não posso mais ficar correndo atrás dessas discussões. O que interessa para mim, agora, é a cadeia nova. Seja onde for'', resumiu.
O coordenador-geral do Departamento Penitenciário do Estado (Depem), coronel Justino Henrique de Sampaio, foi informado ontem mesmo da decisão do município e disse que agora pode, finalmente, enviar os técnicos que avaliarão os terrenos apontados pela prefeitura. Ele ressaltou que os moradores próximos à área escolhida para receber o novo presídio não serão prejudicados. ''Hoje as unidades são muito seguras, com índice praticamente zero de fugas'', tranquilizou.
Foi alegando mais segurança que o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, apoiou a escolha da zona sul para abrigar o Centro de Detenção. ''Seria mais vantajoso, por causa da proximidade do efetivo policial do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) no caso de uma emergência'', destacou. As 400 novas vagas previstas para serem abertas após a conclusão da obra, ressaltou André, resolveriam toda a questão prisional de Londrina. ''Todos os presos do 2º Distrito Policial (DP) seriam transferidos para lá'', argumentou. O 2º DP tem hoje quase 200 presos. O excedente de presos no sistema carcerário de Londrina gira em torno de 350.
O diretor da CCL, major Edson Tomaz, destacou a necessidade de agilizar a definição do local exato para abrigar o centro. Já o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), comentou que a criminalidade de uma ou outra região não pode nortear a escolha do terreno. ''Hoje o índice de violência é maior na zona oeste, amanhã pode ser na zona norte. Não podemos espalhar presídios pelos quatro cantos da cidade'', afirmou.
Esta semana, alguns vereadores sugeriram que o Centro de Detenção seja construído na Fazenda Refúgio (zona sul), um terreno até agora não cogitado pelo município. ''Seria o local ideal porque fica mais afastado de moradias. Ali tem muito espaço e serviria até para oferecer atividades para os presos'', sustentou o vereador Jamil Janene (PP). A Fazenda Refúgio é alvo de antigas pendências judiciais e apresenta topografia bastante irregular.
A escolha final do município e do Estado terá que passar pelo crivo dos vereadores, já que os pedidos de desapropriação de áreas são votados na Câmara.


