Jean PaternoRecuperadosCinco automóveis de SP foram encontrados em fazenda junto ao lago: ponto de passagem de carrosAções policiais e da Justiça na região de fronteira com o Paraguai estão desarticulando um grande esquema envolvendo o roubo de carros no lado brasileiro e a passagem para o Paraguai através do lago de Itaipu. Um fazendeiro e três policiais civis estão presos e um ex-delegado já foi sentenciado pela Justiça, todos sob a mesma acusação. Segundo policiais, eles podem ter passado mais de 100 carros para o Paraguai, atuando em conjunto com receptadores paraguaios.
Ontem à tarde, o juiz Claudio Camargo dos Santos, de Santa Helena (117 quilômetros a oeste de Cascavel), ouviu o fazendeiro Reni Armando Callegaro, preso pelo grupos Águia e de Operações Especiais (COE) e policiais do destacamento local da Polícia Militar.
O juiz também determinou a prisão temporária dos policiais Joaquim Arciso Alves, Carlos Magno Antunes, o ‘‘Magnum’’, e Odair Vítor da Silva, o ‘‘Jata풒. O ex-delegado de Santa Helena, Natálio Barbosa, que está preso em Foz do Iguaçu, foi condenado a seis anos de prisão.
Reni Callegaro, dono de uma fazenda junto ao lago de Itaipu, é acusado de utilizar sua propriedade como ponto de guarda e passagem de carros. Na fazenda foram encontrados cinco automóveis - três Santana e dois Gol -, todos ano 96, roubados em São Paulo. Segundo o tenente Adelar Davies, do COE, Callegaro já havia sido acusado de integrar o grupo do ex-delegado Natálio Barbosa, preso em setembro do ano passado, junto com outras duas pessoas que, assim como Callegaro, acabaram inocentadas.
Um irmão de Callegaro, também acusado, foi morto em um tiroteio com a polícia há um ano. Segundo o tenente Davies, o fazendeiro confessou que recebia R$ 50,00 para cada carro passado através de sua propriedade e que mensalmente cerca de 30 carros eram passados, mas a polícia estima que o número seja maior. De acordo com o tenente, balsas vindas do Paraguai atracavam em um ponto da fazenda e carregavam entre cinco e sete automóveis de cada vez.
O oficial do COE informou também que Callegaro (que prefere não falar publicamente) relatou que os carros eram roubados em várias regiões e levados até a fazenda por ‘‘puxadores’’ paraguaios. ‘‘Isso não é comum porque estrangeiros inevitavelmente podem levantar suspeitas, quando barrados em postos da Polícia Rodoviária’’, argumenta o tenente Davies. Os brasileiros Mário Fortuna e Osvaldo Figueiredo são apontados respectivamente como balseiro e dono de uma balsa que fazia a travessia do lago.
Advogados de Callegaro denunciam que ele foi torturado por policiais e sua prisão foi ilegal. Segundo um dos advogados, Carlos Esteves, a tortura ‘‘foi comprovada em laudos médicos’’ e, segundo ele, o fazendeiro foi ‘‘arrancado de dentro de seu carro, quando estava com a família, levado inicialmente para local ignorado, e depois lhe permitiram contato com advogado’’. A PM nega as acusações. ‘‘Dá até para dizer que ele foi tratado a pão-de-ló’’, diz o tenente Adelar Davies.
Os policiais Arciso, ‘‘Magnum’’ e ‘‘Jata풒 estão presos em Santa Helena. Há reforço policial na delegacia. O ex-delegado Natálio Barbosa, agora condenado, havia sido preso com um ex-carcereiro, um taxista e um mecânico, todos acusados de envolvimento com o crime organizado.
Segundo o capitão Neves, do Grupo Águia, comandante das operações na fronteira, as investigações e capturas ocorrem por determinação do Ministério Público e Judiciário, ‘‘diante do recrudescimento das ações do crime organizado’’.

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