Médicos de uma empresa de atendimento de emergência tiveram que apelar para a Polícia para conseguir internar um paciente do SUS no Hospital Evangélico, em Curitiba. A médica Silvana Kremer levou cinco horas para internar o paciente Paulo Soares Montoceli, com suspeita de fratura da rótula do joelho.
O acidente aconteceu às 11h45 na fábrica da Brahma em Curitiba. Paulo caiu de um andaime e foi atendido pela equipe da Eco Salva com suspeita de fratura. Os médicos imobilizaram o paciente e entraram em contato com o Hospital Evangélico para fazer os exames de raio X.
Segundo o médico Nilo Sérgio Ravazzi, da Eco Salva, quando a equipe chegou no Evangélico foi surpreendida com xingamentos e empurrada para fora do Pronto-Socorro pelo médico supervisor do departamento de ortopedia, Ary Santos Neto.
A médica Silvana resolveu procurar o 3º Distrito Policial para registrar queixa. Depois de conversar com o delegado de plantão, o Hospital Evangélico recebeu o paciente às 16h30. ‘‘Todo esse tempo o paciente ficou imobilizado com muita dor. Não sabíamos nem se havia outra fratura’’, contou o médico da Eco Salva.
De acordo com Ravazzi, este comportamento é comum nos hospitais de Curitiba, quando os pacientes são do SUS. ‘‘Os médicos dos prontos-socorros dizem que nunca tem vaga e literalmente expulsam os pacientes’’, reclamou.
No caso de acidente de trabalho, os hospitais têm obrigação de atender os pacientes, lembrou Ravazzi. A médica Silvana registrou queixa por omissão de socorro e por desacato. A Folha tentou por várias vezes ouvir a versão do Hospital Evangélico, mas ninguém quis dar declarações.

mockup