O policial militar Otávio Lourenço Gambra, o ‘‘Rambo’’, chocou o País ao aparecer nas telas de TV disparando sua pistola contra o conferente Mário José Josino, no dia 7 de março de 1997, na Favela Naval, em Diadema (Grande São Paulo). As imagens, que vieram a público graças a um anônimo cinegrafista, revelaram o homícidio que poderá, por isso, vir a ser punido. Embora não sejam expostos à comunidade desta forma, o Paraná também tem seus ‘‘rambos’’. Somente em 1998, 101 soldados foram expulsos da PM pelos mais variados crimes, desde um simples furto até extorsão e assassinato.
Mas as punições não são uma regra geral. Ou, no mínimo, demoram demais. É comum encontrar, nas ruas de Curitiba e nos quartéis, policiais que são considerados ‘‘marginais’’ por diversos setores da sociedade, como Anistia Internacional, e por familiares de suas vítimas. Os processos se arrastam na Justiça e, enquanto não são condenados, os soldados continuam o trabalho na intituição.
Segundo o tenente-coronel José Paulo Betes, chefe da Comunicação Social da Polícia Militar, não existe protecionismo. Para ele, seria insensato excluir o policial antes da condenação na Justiça Comum, pois, se ele fosse inocentado, poderia requerer novamente a inclusão. Todos os acusados, segundo ele, respondem processos internos. Mas nem todos são denunciados na Justiça Comum, caso do policial Carlos Roberto Leite Possebom, acusado de matar o segurança José Carlos Poli, 26 anos, com três tiros.
Ontem, o Fórum Contra a Violência Policial faria um protesto na praça do bairro Vila São Pedro, local onde o segurança foi morto. Familiares e amigos de Poli e de outras vítimas pediriam o fim da impunidade. A manifestação marcaria o aniversário da morte do segurança, ocorrido em 1998.
O paradoxo é que policiais que são taxados de ‘‘bandidos’’ acabam dividindo viaturas e beliches nos plantões com homens cujo o jargão ‘‘herói’’ seria pouco para classificar o que fazem no dia-a-dia. Os heróis são homens que fazem um ato de extrema bravura e perigo. Esses soldados, no entanto, enfrentam a morte todos os dias. Alguns, como o soldado Claudinei de Souza Alexandre, 28 anos, que levou quatro tiros num confronto, passam muito perto dela. Outros, sucubem.
A Folha mostra nesta edição histórias de vilões e heróis que vestem a mesma farda - uns ganham respeito e amenizam a ira da sociedade sobre outros. Os primeiros mancham a imagem dos demais com o sangue de inocentes. ‘‘Quando vejo uma manchetes dessas, dá vontade de matar os policiais’’, diz o 2º tenente Marco Antonio da Silva, 25 anos, com um jornal que mostra um quadrilha formada por PMs. Os que os divide é uma linha imperceptível e ao mesmo tempo imensurável.

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