Polícia divulga demissões e suspensões
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nos últimos dois anos e meio, a Polícia Civil do Paraná demitiu 33 pessoas, entre policiais e funcionários, e suspendeu outras 160 temporariamente, as quais somaram 7.182 dias afastadas de seus cargos. A maioria das demissões aconteceu por conivência de policiais em casos de fugas de presos, envolvimento com o tráfico de drogas, principalmente por extorsão, além de cobertura a traficantes e ladrões de carros.
Entre os 33 demitidos, não há nenhum delegado de polícia. A maioria 29 ocupava o cargo de investigador, três de escrivão e um era assistente administrativo. Já o número de delegados suspensos no mesmo período é significativo. Foram suspensos 16 delegados, o equivalente a 10% do total (160), sendo que dois deles chegaram a ficar 90 dias afastados de seus cargos. Como os investigadores são maioria no quadro da polícia, são também a categoria que mais aparece nas estatísticas. Foram 111 suspensões. Os escrivãos aparecem em segundo lugar com 21 suspensos.
Os números foram apresentados à imprensa, ontem, pelo delegado geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, que fez um balanço do primeiro ano de atividade do novo Conselho da Polícia Civil, órgão responsável pelo controle da hierarquia, da disciplina e da promoção dos funcionários da polícia. Ribeiro, que é também presidente do conselho, não quis divulgar o nome dos demitidos. Segundo ele, a polícia tomou esta decisão para se precaver de qualquer possibilidade de ingresso de ação judicial pelos policiais que tivessem seus nomes divulgados.
O presidente do Conselho admitiu, no entanto, que o número de punições aplicadas ''é bastante significativo'' em relação aos 4 mil policiais existentes no quadro. ''O policial trabalha na linha entre a marginalidade e a legalidade e, se ele não tiver uma boa formação, fica fácil mudar de lado'', explicou. Além das 33 demissões efetuadas, desde março de 2000 quando Ribeiro assumiu a diretoria da Polícia Civil as instâncias de investigação de denúncias contra os policiais apresentou mais 41 propostas de demissão de funcionários. Estes casos ainda não tiveram resposta. Entre estes, também não há nenhum delegado.
Questionado sobre a não punição dos acusados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcortráfico, que em 2000 apontou o envolvimento de vários integrantes do quadro, Ribeiro afirmou que os processos ainda estão em andamento. A demora, de acordo com Ribeiro, é em função dos recursos judiciais existentes.


