Polícia divulga a imagem de assassino
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
ReproduçãoProcura-seA descrição do matador: moreno claro, entre 30 a 35 anos de idade, 1,60 metro de altura e 60 quilosO Instituto de Criminalística de Londrina entregou ontem à tarde ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, o retrato falado do assassino do empresário Júlio César Marino. Ele foi morto em sua casa com quatro tiros na última quarta-feira.
O retrato falado começou com a descrição do assassino por cinco testemunhas que viram o autor do crime na quarta-feira. O trabalho foi finalizado depois que duas das testemunhas se submeteram, na tarde de sábado, a uma sessão de regressão hipnótica com o perito do IC Rui Fernando Cruz Sampaio. Para descrever o assassino, as testemunhas foram submetidas a regressão até a hora do crime. O retrato falado mostra que o criminoso é moreno claro, com idade entre 30 e 35 anos, aproximadamente 1,60 metro de altura e 60 quilos. Os cabelos são ligeiramente ondulados e curtos.
Uma das testemunhas, que pediu para não ser identificada, demorou uma hora e meia para entrar em estado de hipnose. Ela estava em uma casa em frente à residência de Júlio Marino e observou, de uma janela, toda a cena do crime. A outra testemunha hipnotizada foi o caseiro da vítima, Nelson Silva, que foi ferido na perna pelo assassino. Ele é a testemunha que estava mais perto do autor do crime. Nelson Silva continua internado na Santa Casa, depois de passar por uma cirurgia para retirada do projétil. Ele entrou em transe hipnótico em menos de 15 minutos e quase teve delírios, por estar muito nervoso. Sampaio, que também é psiquiatra e psicólogo, contornou a situação fazendo o caseiro rapidamente voltar ao normal. A primeira testemunha antes afirmava que o criminoso tinha um bigode fino, mas negou a informação durante a hipnose.
O retrato, após ser concluído pelos peritos, foi aprovado por todas as testemunhas. A montagem dos traços fisionômicos foi feita por computação gráfica. O perito do IC de Londrina, Geraldo Gonçalves Filho, afirma que o rosto tem, no mínimo, 80% de autenticidade. Na sequência dos trabalhos do IC, está prevista a montagem da mesma imagem em terceira dimensão. Com isso poderemos animar a imagem e facilitar ainda mais as testemunhas, mostrando em diversos planos a mesma imagem, diz Gonçalves.
o delegado Wanderci Corral Fernandes foi ontem até a Cotam, uma das empresas de Júlio César Marino, em Rolândia, para comparar o retrato falado com fotos de ex-funcionários da empresa. A polícia trabalha com a hipótese de que o crime foi motivado por vingança - a segunda hipótese é latrocínio.
Um dos suspeitos é um ex-segurança de Júlio Marino que há pouco mais de um mês ele ganhou uma ação trabalhista do empresário. Ele recebeu R$ 18 mil de indenização. Na oportunidade, ele teria ficado revoltado porque esperava receber R$ 80 mil. A demanda foi confusa: Júlio Marino negava-se a pagar o valor pedido por achá-lo muito alto. O ex-segurança trabalhou para o empresário de 1982 até 1994; na última tentativa de acordo, as partes fixaram a indenização em R$ 30 mil. No dia da audiência, os representantes do empresário conseguiram baixar o valor para R$ 18 mil, o que teria sido aceito com relutância pelo ex-empregado.
O ex-segurança do empresário, cujo nome a polícia mantém em sigilo, continua sendo investigado. Wanderci Corral Fernandes disse que o ex-segurança é claro, de complexão robusta, fugindo ao tipo físico mostrado pelo retrato falado. Mesmo tendo certeza de não ter sido ele (o ex-segurança) quem disparou os tiros, continuamos levantando diversos dados a seu respeito, informa o delegado.
A Folha apurou que o ex-segurança atualmente está trabalhando no Mato Grosso do Sul e sua família mora em Marília (SP).


