Polícia dispara 22 tiros contra estudantes
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sexta-feira, 09 de março de 2001
Erika Wandembruck De Curitiba 
Em uma perseguição na madrugada de ontem policiais militares de Curitiba dispararam 22 tiros contra um carro ocupado por três jovens. Um dos disparos acertou o abdômen do estudante Ademir Marcio Lenartunicz, 20 anos. Ele foi encaminhado ao Hospital do Trabalhador, onde foi submetido a uma cirurgia. Na tarde de ontem o estado de saúde do estudante era estável. Os outros dois ocupante do carro, um veículo Gol, Ayslan Sávio Teófilo, 27 anos, e Eduarod Martini, 19, não foram feridos.
Apesar do número de tiros e de os ocupantes do carro estarem desarmados, para o comandante geral da Polícia Militar, Guaraci Moraes de Barros, não houve excesso da corporação durante a diligência. De acordo com ele, os rapazes não obedeceram a ordem de parar o veículo. O coronel Gilberto Foltran, chefe do Estado Maior da PM, discorda da avaliação de Guaraci. Apesar de não ter conhecimento dos fatos, Foltran disse que atirar em pessoas desarmadas é abuso. A ordem é não atirar, disse o coronel.
A PM instaurou inquérito contra os policiais Itamar José de Castro, 27 anos, e Marco Aurélio Bembem, 28 anos, que iniciaram a perseguição.
Conforme depoimento prestado pelo condutor do Gol, o técnico cartográfico, Ayslan Mafra, os rapazes estavam em frente a casa de um amigo, na Rua Frei Teófilo, bairro Capão Raso. Quando avistaram a viatura, fugiram pela Rua Winston Churchil, porque portavam maconha. Foi quando os dois policiais começaram a efetuar os disparos.
Mesmo assim, os rapazes não pararam. Logo em seguida, outra viatura da PM entrou em ação. Só depois de quinze minutos de perseguição, eles foram contidos por uma barreira policial, perto da BR-116. Durante a revista, os policiais alegaram que encontraram cerca de 100 gramas de maconha que estava escondida com o estudante Eduardo Martini. O delegado do 10º Distrito Policial, Jairo Estorilio, que investiga o caso, afirmou que Martini portava 30 gramas do entorpecente.
Para o comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar, Nereu Pires de Oliveira, não há indícios de crime em serviço. Disse, que os policias Bembem e Castro, que pertencem ao batalhão, disseram que atiraram para se defender de tiros disparados pelos rapazes. Entretanto, o delegado Estorilo não encontrou nenhuma arma com o grupo.


