Polícia diminui folgas para cumprir escala
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quarta-feira, 02 de outubro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
O sistema de escalas imposto pelo comando da Polícia Civil em Curitiba, que determina um turno de 24 horas trabalhadas seguidas de 48 horas de descanso, não é obedecido em delegacias do Paraná. A Folha flagrou anteontem, uma policial trabalhando 20 horas depois de ter saído do plantão na delegacia de Cambé, onde 19 presos foram resgatados por uma quadrilha. O Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) destacaram que parecer do Tribunal de Justiça determina escalas ainda maiores: de 24 por 72 horas.
Ângela Maria Junior era a única investigadora que estava de plantão no momento em que uma quadrilha fortemente armada invadiu a delegacia da cidade para libertar detentos perigosos. O resgate aconteceu na noite do último domingo, mas Ângela permaneceu no prédio até as 11 horas do dia seguinte, acompanhando as buscas que resultaram na captura de alguns detentos.
A Folha flagrou a investigadora e o escrivão Geraldo Ronal Pereira que também estava de plantão no domingo trabalhando na manhã de terça-feira no 1º Distrito Policial (DP), sediado no Jardim Novo Bandeirantes (zona leste de Cambé, na divisa com Londrina). Ontem, ela estava trabalhando novamente na delegacia central de Cambé. Ângela não quis falar com a reportagem sobre o fato de ter voltado a cumprir expediente menos de um dia depois de sair do plantão.
A Polícia Civil de Cambé conta com oito investigadores. Um deles cuida da carceragem, enquanto outro trabalha na área administrativa. O delegado de Cambé, Antonio do Carmo, comentou que vem tentando conseguir mais três investigadores para atuar na cidade, mas disse que o assunto deve ser tratado na 10 Subdivisão Policial, responsável pelas delegacias da região e sediada em Londrina.
O flagrante registrado em Cambé é comum em outras delegacias, segundo policiais de Londrina. Alguns confirmaram que as escalas não respeitam a lei, que prevê carga horária de 44 horas semanais. Um investigador (que pediu para não ser identificado) disse que a maioria dos policiais volta a trabalhar no máximo 24 horas depois do plantão. ''Como podemos ter pessoal para garantir o rodízio, se nem o equipamento é suficiente realizarmos nosso trabalho?'', questionou o investigador, lembrando que um dos colegas chegou a atender uma ocorrência de homicídio usando a própria moto.
O delegado-chefe da Divisão de Policiamento do Interior (DPI), Clóvis Galvão, disse que estão sendo estudadas possibilidades de aumentar o efetivo na região de Londrina, mas acredita que a quantidade de homens seria suficiente para compor uma equipe de plantão em Cambé.
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Leonyl Ribeiro, disse ontem que a solução definitiva para acabar com o excesso de trabalho da corporação é retirar presos das cadeias. ''O policial presta concurso para investigar e não para trabalhar de carcereiro. É preciso construir mais casas de custódia terceirizadas e colocar os investigadores nas ruas'', afirmou Ribeiro.


