Polícia dificulta acesso a informações
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sábado, 13 de janeiro de 2001
Érika Pelegrino de Londrina 
Informações sobre crimes graves que têm acontecido em Londrina nos últimos dias estão sendo boicotadas pela Polícia Civil. O delegado-geral da Polícia Civil em Curitiba, Leonyl Ribeiro, justificou que muitos delegados estão evitando dar declarações à imprensa por medo de serem acionados posteriormente. Segundo ele, tem aumentado a demanda de interpelações judiciais contra delegados que informam nomes e crimes investigados em inquéritos policiais. A explicação foi dada por ele para explicar o porquê de os delegados João Eduardo Carulla e Márcio Amaro da 10ª Subdivisão Policial (SDP) terem omitido informações sobre sequestro do gerente do Banespa, Roberto Melo, e de sua mulher, Andreia Melo, na noite de terça-feira e que resultou no arrombamento de 15 cofres da agência na manhã de quarta-feira.
O superintendente da 10ª SDP, delegado Miguel Domingos da Silva, alega que é um direito da vítima e do acusado garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal. Ele nega que a polícia seja omissa ou esteja tentando esconder informações sobre crimes.
O delegado João Carulla disse desconhecer a existência de ações contra delegados por revelar informações sobre os inquéritos policiais. Até há uma semana, quando o delegado chefe da 10ª SDP, Gilson Garrett Augauer, entrou de férias, não havia dificuldades em se conseguir informações sobre pessoas acusadas de crimes.
Um crime envolvendo um estudante também está sendo omitido tanto pela 10ª SDP quanto pela delegacia da Mulher. Marcos Alexandre de Oliveira Colombo, 24 anos, pulou do terceiro andar do prédio onde mora, na rua São Jerônimo, na tarde de quarta-feira, quando policiais teriam ido levar uma intimação para ele.
O delegado João Carulla disse que não iria falar nada porque a família do rapaz não queria ver o caso na imprensa. A delegada Maria Joseléia Pigozzi da delegacia da Mulher também se recusou a dar informações. Ela disse apenas que ele iria prestar declarações para um inquérito policial. Não vou dizer nada porque o inquérito é sigiloso, disse. Um inquérito policial é público podendo ser decretado sigiloso com base no artigo 20 do Código de Processo Penal.
Colombo já responde inquérito policial no 2º Distrito Policial de Curitiba por roubo, segundo a delegada. As suspeitas são de que o jovem sequestra mulheres, as leva aos caixas eletrônicos e as rouba. Ao pular do terceiro andar o estudante machucou o rosto e as pernas. Ontem à tarde ele passava por uma cirurgia na Santa Casa de Londrina.


