O promotor da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Tiago de Oliveira Gerardi, vai pedir a abertura de inquérito policial para investigar a morte da indiazinha Liliane Marcondes, de 11 meses, ocorrida na segunda-feira na Reserva Indígena do Apucaraninha, em Tamarana (80 km de Londrina). Segundo o promotor, os pais poderão ser responsabilizados até por homicídio culposo, dependendo do resultado do inquérito. A Fundação Nacional do Índio (Funai), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a médica que atende a reserva também poderão ser responsabilizadas se, de acordo com o promotor, ficar comprovado que deixaram de cumprir com o dever.
Liliane morreu após apresentar sintomas de pneumonia agravada pela desnutrição. Segundo a médica Vera Lúcia Pozzobon, da equipe do Programa de Saúde da Família que atende a reserva, a família se recusou a encaminhá-la para internamento hospitalar. De acordo com a médica, a mãe não teria permitido que ela trouxesse a menina para Londrina, levando a filha para o pajé da tribo e, posteriormente, para os índios evangélicos para orarem pela recuperação da menina.
Segundo o promotor, se os índios foram orientados sobre a gravidade do caso e não tomaram providências poderão ser responsabilizados já que também estão sujeitos à Constituição Federal. ‘‘Nenhuma lei pode ser superior à Constituição e o Estatuto do Índio não é exceção’’, afirmou. ‘‘Se eles sabem vir a Londrina pedir esmolas, também sabem que deveriam trazer as crianças para atendimentos médico’’, disse. Quanto à médica, o promotor explicou que ela deveria ter acionado a Funai e o Conselho Tutelar para que fossem tomadas providências.
O promotor solicitou que o Conselho Tutelar de Londrina encaminhe os ofícios ao Conselho Tutelar de Tamarana e ao delegado da cidade, Algacir Ramos, para abertura de inquérito.

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