Cerca de 135 famílias invadiram, na madrugada de sábado para domingo, um terreno da construtora J. Malucelli, no bairro Campo Comprido, em Curitiba. Os ocupantes montaram barracas de lona preta no terreno, localizado em frente ao hipermercado Carrefour Champagnat, e ameaçavam ficar por tempo indeterminado. Foi preciso intervenção policial para desocupar a área. Houve um pequeno tumulto, mas ninguém saiu ferido. Os ocupantes querem uma posição da prefeitura para legalizar as áreas de ocupação onde moram, na Vila Sandra e Cidade Industrial, e ainda um terreno para construir casas populares.
O terreno invadido tem 101 mil metros quadrados e está em negociação para a construção de um shopping center. ''É um absurdo construir um shopping aqui quando há tantas pessoas sem ter onde morar'', reclamou um dos ocupantes do local Vilmar F. Campos, de 22 anos. Ele chegou no terreno às 4h30, com a família. Disse estar desapontado por ter que deixar o local sob ameaça policial. ''Eles (os policiais) nos deram cinco minutos para sair daqui'', contou. ''Tenho medo de apanhar''.
Os ocupantes lembraram da intervenção policial no movimento das mulheres de policiais, que em julho acamparam em frente ao quartel da Polícia Militar. Na ocasião, para retirar as cerca de 50 manifestantes foi utilizado um efetivo de 700 policiais. Houve feridos. Ontem, 30 policiais do Batalhão de Choque, 20 do 12º Batalhão e 18 do Tático Móvel participaram da desocupação. Eles permaneceram no local após os manifestantes serem retirados num caminhão cedido pela J. Malucelli, para evitar tumulto.
O advogado que representa as famílias dos sem-teto, Marcello Panizzi disse que vai entrar com uma ação de abuso de poder, direcionado ao comandante da operação. ''Esse é um terreno particular, os policiais só poderiam entrar aqui com decisão judicial'', disse. O capitão Valdir Tedeschi, do 12º Batalhão, garantiu que a desocupação teve respaldo legal. ''A J. Malucelli entrou com um pedido na Justiça'', revelou. ''Além disso, os ocupantes foram pegos em flagrante''. A ocupação durou aproximadamente 12 horas. Depois da intervenção policial, os sem-teto foram levados para os terrenos que ocupavam anteriormente, na periferia da cidade.

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