Polícia desmonta falso tribunal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga prendeu na manhã de anteontem sete pessoas que montaram um falso tribunal, em uma sala no Centro de Curitiba, e há cerca de seis meses vinham cobrando para atender a população e julgar ilegalmente ações judiciais nas áreas Cível, Criminal, de Família e de Juizado Especial. A quadrilha estaria ainda vendendo carteiras funcionais do Tribunal de Justiça e da Polícia Civil e vendendo diplomas de uma suposta Faculdade de Medicina Natural do Paraguai.
De acordo com a delegada Vanessa Alice, a polícia começou a investigar o caso após ter recebido denúncia de uma pessoa que tinha sido contratada para trabalhar no local, mas desconfiou de irregularidades e procurou a delegacia. ''Eles trabalhavam como um juizado especial, realizando julgamentos e sentenciando. Havia até mesmo uma falsa juíza que usava um martelinho para dar as sentenças'', disse a delegada.
O esquema funcionava a partir da indicação do escritório, ou ''tribunal'', para interessadas em serviços judiciários. Além de forjar julgamentos, os falsos funcionários montavam ações para ingressar na justiça. Entre o material apreendido estão documentos de pedidos de pagamento de pensão, ações de despejo e pedidos de guarda de filhos, o que mostra que a quadrilha estaria atuando em várias áreas. Esses processos, segundo a delegada, acabavam arquivados, uma vez que as pessoas da quadrilha não eram habilitadas para a função.
De acordo com as apurações, o grupo intimava pessoas com um oficial de justiça falso, marcava audiências e dava sentenças. Os ''funcionários'' tinham carteiras onde constavam suas falsas funções, entre elas a de juíza, jornalista, médico do tribunal, e agentes de investigação. Apesar dos presos alegarem que prestavam serviços gratuitos, a polícia encontrou no local recibos de honorários com valores entre R$ 200 a R$ 2 mil.
Muitos clientes, segundo a delegada, acabaram tornando-se funcionários do ''falso tribunal''. Para isso, eles adquiriam uma carteira funcional do Tribunal de Justiça, no valor de R$ 50,00. Além de garantir entrada gratuita em ônibus, de acordo com a delegada, a carteira conferia poder de polícia a seu portador.
As sete pessoas que estavam no local, entre elas dois policiais militares aposentados, foram autuadas em flagrante por estelionato, formação de quadrilha e usurpação de função pública. Outras 15 pessoas, cujas carteiras de funcionários do ''tribunal'' foram encontradas no local, também estão sendo intimadas a se apresentar. Com o material apreendido, a delegacia investiga, agora, se os envolvidos chegaram a recolher bens ilegalmente de outras pessoas. Nesse caso, eles serão processados também por extorsão.


