Curitiba - Um laboratório caseiro para produzir uma nova droga sintética foi encontrado e desmontado por policiais do Núcleo da Região Metropolitana de Curitiba, órgão ligado à Divisão de Narcóticos da Polícia Civil, no bairro Alto, em Curitiba, na tarde de segunda-feira. A ''cápsula do medo'', como era conhecida a nova droga, causava ao usuário, em médio prazo, sintomas de esquizofrenia, como paranoia e sensação de perseguição.
O dono do laboratório foi preso, além de uma mulher e outro rapaz, que estariam interessados em distribuir a droga. Foram apreendidas 1.050 cápsulas do produto, parte de uma encomenda de três mil cápsulas feita por um dos detidos.
R.J.N., 26 anos, fabricante da droga, segundo a polícia, era um autodidata e leu vários livros técnicos da Inglaterra para poder criar a substância. A mulher detida, E.O., 32 anos, seria responsável pelos contatos na distribuição do entorpecente e J.B., 29, seria o distribuidor. ''Este J.B. teria alguém por trás, financiando a distribuição e vamos continuar investigando para descobrir quem é'', contou o delegado Jairo Amódio Estorílio.
Com grau de dependência semelhante ao da cocaína e do crack, de acordo com a polícia, a ''cápsula do medo'', ou MD, era vendida normalmente em festas rave. O público consumidor da droga é jovem. A polícia acredita que há usuários em todas classes sociais. ''Chegamos neles a partir de infiltrações em festas e muitos testemunhos de familiares de usuários'', explicou.
Há quatro meses investigando a nova moda nas raves, o delegado descobriu que os efeitos da substância à base de pseudoefedrina, precursor da anfetamina, são inibição do apetite, além de falta de sono e alucinação. Os produtos base da droga estão na lista da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a polícia.
Entretanto, de acordo com Estorílio, apenas uma análise mais detalhada poderá dizer realmente como é a composição e seus reais efeitos. Toda droga apreendida foi encaminhada para o laboratório de toxicologia do Instituto Médico Legal (IML).
Segundo o delegado, cada cápsula era vendida pelo fabricante a R$ 10,00 e chegava nas festas custando R$ 30. Além das drogas, foi apreendido um veículo modelo Ômega e uma motocicleta, parte do pagamento pelo carregamento de droga apreendido.

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