Polícia desmantela filial curitibana do golpe do emprego
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Ed Carlos Rocha 
Curitiba
Marcelo AlmeidaDinheiro fácilJosé Antônio de Lacerda Filho, com as cartas que recebeu: ele colocava anúncios nos jornais oferecendo a kits para montagem de equipamentos, que jamais eram entreguesA Delegacia de Crimes contra a Economia Popular (Delcon/PR) desmantelou ontem a filial curitibana de uma rede que vinha praticando o golpe do emprego fácil, no qual pessoas, atraídas por anúncios em jornais, depositavam dinheiro numa conta bancária com a promessa de receber kits de ferramentas para montar o próprio negócio em casa. A Delcon prendeu em flagrante José Antônio de Lacerda Filho, de 37 anos, que organizava em Curitiba todo o funcionamento da rede. Segundo o delegado Adjunto da Delcon, Armando Braga, mais de seis mil pessoas em nove estados brasileiros foram vítimas do golpe, que existe há um ano e deve ter rendido, pelas contas do delegado, cerca de R$ l milhão aos estelionatários.
De acordo com Armando Braga, a Delcon vai trabalhar agora em parceria com as Delcons dos estados onde também houve golpes (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Ceará), para tentar chegar ao mentor do estelionato, cujo nome seria Rui Apuzzo Jordão. Não sabemos ainda se esse é o seu verdadeiro nome, mas acreditamos que ele centraliza a operação, não sabemos onde, mantendo laranjas, como o José Antônio, nas capitais desses Estados, ficando com a maior parte do dinheiro, explicou Braga.
O delegado espera ter uma pista de Rui através da quebra do sigilo de cinco contas bancárias (três na Caixa Econômica Federal, uma no Bemge e uma no HSBC Bamerindus, todas em Curitiba e no nome de José Antônio), que eram usadas para receber o pagamento das vítimas.
O golpe do emprego funcionava da seguinte forma. José antônio colocava anúncios nos principais jornais das capitais oferecendo a possibilidade da pessoa começar em casa o próprio negócio, podendo ganhar até R$ 1.200,00 por mês. Para isso, teria que mandar uma carta para uma determinada caixa postal pedindo maiores detalhes. Os detalhes, com explicações de que a atividade seria a manufatura de peças nas áreas de eletrônica, brinquedo e artesanato, eram remetidos ao interessado, que teria então que depositar de R$ 29,00 a R$ 59,00 numa conta bancária para receber em casa os kits de ferramentas. A pessoa receberia o pagamento pela produção de peças. Os kits jamais eram entregues.
José Antônio, que já está com a prisão preventiva decretada e vai responder por crime de estelionato, podendo pegar até oito anos de cadeia, disse que não sabia que os kits não eram entregues. Ele disse que encontrava Rui uma vez por mês, para repassar o dinheiro arrecadado, do qual diz ficar apenas com 25%. Dava uns R$ 1.300,00 por mês, suficientes para sustentar minha mulher e minha filha, afirmou.


