Polícia desconhece venda de heroína em Curitiba
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terça-feira, 08 de julho de 1997
Curitiba 
As autoridades policiais de Curitiba estão surpresas com a denúncia de explosão do consumo de heroína, feita na edição de ontem da Folha. Tanto a Delegacia Anti-Tóxicos quanto a Polícia Federal informam que não há evidências sobre o comércio da droga na cidade. A suspeita é de que os usuários estariam viajando ao exterior para conseguir o produto.
Acredito que os consumidores de heroína estejam indo para os Estados Unidos e a Europa, onde a droga é cara, mas comum, diz o delegado Adauto Abreu de Oliveira, titular da Delegacia Anti-Tóxicos. Segundo ele, faz mais de 20 anos que não acontece uma apreensão de heroína em Curitiba. No entanto, se o consumo aumenta, há possibilidade de haver tráfico, raciocina.
O delegado Marco Antônio Ribeiro Coura, da Delegacia de Prevenção e Repressão ao Uso de Entorpecentes da Polícia Federal, confirma as suspeitas de consumo de heroína na cidade. Só não posso dizer que existe um explosão, o que nosso núcleo de inteligência está investigando, ressalva. Para ele, as informações levantadas pelo jornal podem indicar um caso isolado.
A reportagem publicada nesta terça-feira mostrou que 12 pessoas foram atendidas - três casos de internamento e nove de ambulatório - na Clínica de Recuperação Nova Esperança por consumo de heroína só neste ano. A maioria dos pacientes era de classe média alta, o que reforça a suspeita da polícia.
Em cinco anos de funcionamento, a clínica havia tratado de apenas um caso, em 1995, de dependência da droga que é considerada a mais devastadora do organismo. Segundo especialistas, o uso de heroína dá uma sensação de êxtase para depois provocar depressão profunda e até levar a quadros psiquiátricos graves.


