O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Avelino José Novakoski, pediu ontem paciência à população na solução do caso dos desmanches de caminhões roubados. O pedido foi feito depois que a PM descobriu o nono local onde pedaços de chassis de veículos eram escondidos. As peças estavam no fundo de outro trecho do Rio da Várzea, entre Campo Mourão e Peabiru. Outros dois esconderijos já tinham sido achados no mesmo rio.
Foi o terceiro esconderijo seguido que a polícia descobriu através de informações repassadas pelo ‘‘disque-denúncia’’ (822-3838), um telefone que o batalhão colocou em funcionamento há apenas 10 dias. Desta vez, o que chamou a atenção foi o grande número de pedaços de chassis encontrados. Somente nas primeiras buscas, feitas anteontem à tarde, foram achadas cerca de 70 peças, mas os trabalhos prosseguiram ontem.
‘‘A quantidade de peças encontradas mostra que a quadrilha era bem grande’’, ressalta Novakoski. ‘‘Eles não roubavam apenas um veículo aqui e outro ali’’. O nono esconderijo de chassis é o maior já localizado pela PM desde que o caso começou a ser desvendado, no início de setembro. Antes, a polícia já tinha achado volumes maiores de peças, mas elas incluíam partes que seriam reaproveitadas. Desta vez, o volume é grande e conta só com pedaços de chassis.
Pressões Os chassis eram cortados em pequenos pedaços e jogados em rios ou enterrados para evitar a identificação dos veículos roubados. O pedido de paciência do comandante do 11º BPM foi feito para evitar mais pressões da comunidade. Desde que o caso começou a ser desvendado, seis pessoas foram indiciadas, mas nenhuma está presa. Uma responde em liberdade e as outras cinco fugiram antes que fossem decretadas as prisões preventivas.
Os cinco suspeitos foragidos são o comerciante Antônio Carlos Bernardes de Souza, o ‘‘Carlinhos do Som’’, 33; Pedro Soares Júnior, o ‘‘Pedrinho Gordo’’, 30; Jaconias Felipe de Souza, o ‘‘Jacó’’, 39; Daniel Felipe de Souza, o ‘‘Fininho’’, 42; e Martins de Oliveira, o ‘‘Martinho’’ (idade não revelada). O único que responde em liberdade é o estudante Chafik Simão Júnior, o ‘‘Chafiquinho’’. Eles foram denunciados por formação de quadrilha e receptação de mercadorias roubadas.
Novakoski também não descarta o envolvimento de policiais na quadrilha. ‘‘Numa quadrilha desse tamanho, existe a possibilidade da participação de policiais’’, frisa. O caso dos desmanches começou a ser desvendado poucos dias depois do afastamento do comandante anterior da PM local e, no meio das investigações, houve a troca dos delegados da 16ª Subdivisão Policial. Os comandos da PM e da PC, no entanto, negam que existam relação entre os casos.

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