Polícia descobre fraude em contas telefônicas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quase 60 pessoas foram presas, ontem, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em uma operação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que apurou fraudes na empresa de telefonia Brasil Telecom. A polícia estima que os prejuízos da empresa ultrapassem R$ 7,5 milhões.
Ao todo, 73 mandados de prisão, busca e apreensão foram expedidos pelo juiz da Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba, Pedro Luis Sanson Corat, mas há estimativa de que mais de 500 pessoas podem ter se envolvido no golpe. De acordo com a polícia, a quadrilha, acusada de usar o sistema da empresa de telefonia para anular ou reduzir o valor de contas de telefones residenciais e de empresas em até 95% do valor original, era encabeçada por um ex-funcionário de uma terceirizada da Brasil Telecom.
Além do ex-funcionário, são acusados de serem co-autores nove funcionários da empresa e terceirizadas. Aliciadores dos funcionários são acusados de serem partícipes e os demais são enquadrados como beneficiários.
O golpe
Funcionários e terceirizados aliciados pelo grupo tinham senhas do sistema da empresa de telefonia e podiam alterar cadastros e reduzir o valor de contas. Segundo o delegado que comandou a Operação Espectro, Fracisco Alberto Caricati, o grupo procurava clientes da empresa e oferecia os serviços. Uma cobrança de R$ 5 mil, a maior descoberta na investigação, podia passar a ser de centavos. A quadrilha cobrava, em média, a metade do valor reduzido como pagamento, em conta bancária, pela operação, explicou.
Em outra modalidade, o grupo podia alterar um cadastro de cliente, utilizando nome de laranjas. São casos de pessoas que descobriram estar com o nome em serviços de proteção ao crédito sem mesmo ter conta de telefone, disse Caricati.
As senhas operacionais, trocadas a cada 45 dias como medida de segurança da Brasil Telecom, eram alugadas pela quadrilha, que pagava até R$ 1,5 mil por mês. Junto com as prisões, a polícia apreendeu equipamentos de informática que serviam como uma espécie de Call Center para operacionalização do golpe.
A polícia iniciou a apuração do caso há cerca de um ano, mas especula que o golpe já venha sendo aplicado há mais de cinco anos. A investigação partiu de uma denúncia da própria empresa, que constatou que um telefone, várias vezes bloqueado por suspeita de fraude, voltava a operar sem autorização. A descoberta levou ao ex-funcionário e, em poucos meses, a toda a cadeia de relacionamento.
De acordo com Caricati, os presos considerados os maiores beneficiários do golpe serão autuados por estelionato. Os demais envolvidos serão autuados por estelionato e formação de quadrilha. A polícia espera ouvir todos os acusados até amanhã.
Apesar de só estarem comprovadas as fraudes junto à Brasil Telecom, a polícia já tem indícios que o golpe também atingia outras duas empresas. A Brasil Telecom informou, através de sua assessoria de imprensa, que foi a responsável pela denúncia à polícia e que está colaborando com as investigações.


