Usando apenas um laptop (computador portátil) e um detector de rádio-frequência, um comerciante de Londrina é suspeito de ter clonado centenas de celulares pertencentes a usuários de todo o País. Juliano Souza Campos, 22 anos, foi preso ontem pela Polícia Civil na casa dele, no Jardim Interlagos (Zona Leste). Cerca de 10 ''clones'' prontos para uso foram apreendidos, além de dezenas de aparelhos celulares e uma lista de várias páginas com números telefônicos de vítimas.
Campos era proprietário da loja Brasilcel, mantida no Shopping Popular (Camelódromo), Centro de Londrina. Segundo o delegado de Furtos e Roubos da 10 Subdvisão Policial (SDP), Manoel Ângelo Pelisson, há pelo menos um ano o comerciante vinha viajando com frequência para cidades onde há aeroportos de grande movimento, como Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro. Hospedava-se em hotéis próximos aos aeroportos e, do próprio quarto, captava sinais de celulares por meio do detector, também chamado scanner de rádio-frequência. De acordo com o gerente de engenharia celular da Sercomtel, Paulo de Souza, o aparelho é vendido ilegalmente no Paraguai por R$ 3 mil.
Os dados eram inseridos no computador e configurados com o auxílio de programas disponíveis gratuitamente na internet. Depois, eram transferidos para um novo aparelho, que ficava com número e configuração idênticos ao do clonado. ''Com certeza ele não comprava os aparelhos de celular, e sim receptava. Vendia-os a R$ 150,00 e dava garantia de um mês. Se nesse intervalo o telefone parasse de funcionar, o cliente ganhava outro'', explicou o delegado, que acredita que os compradores eram cientes da irregularidade.
Até ontem, a polícia ainda investigava a origem dos celulares clonados. Entre eles, havia telefones do Mato Grosso, Espírito Santo e São Paulo. Funcionários da Sercomtel, uma das empresas que podem ter sido lesadas, estiveram na 10 SDP logo pela manhã. O coordenador da área de Garantia de Receita e Fraude da operadora, José Maria da Silva, disse que a própria empresa solicitou à polícia que investigasse esse tipo de crime na cidade, diante do que classificou como ''número preocupante'' de casos de clonagem registrados. Ele não quis fornecer estatísticas.
Silva afirmou que, embora a empresa consiga levantar a lista de ligações feitas ou recebidas com o número clonado após o crime, isso não ajuda nas investigações. ''As pessoas, na maioria das vezes, compram o celular de boa-fé'', argumentou, discordando do delegado. Pelisson observou que as operadoras de telefonia poderiam colaborar mais com as investigações. ''Elas sonegam cadastros dos clientes, porque confundem esses dados com sigilo telefônico. Os cadastros não são sigilosos'', salientou.
O comerciante preso deverá responder pelos crimes de furto, receptação e estelionato. O delegado declarou que já estão sendo investigadas outras pessoas envolvidas com clonagem de celulares em Londrina.

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