A Polícia classifica como mentirosa a versão que o taxista Sidney Carneiro, 30 anos, e sua filha Suelen Carneiro, 5 anos, de Chopinzinho (46 km ao norte de Pato Branco) tenham sido vítimas de vingança por motivo passional. Pai e filha morreram afogados no Rio Iguaçu no início da semana passada. A motivação passional é alegada por Itacir Paulo dos Santos, 25 anos. Ele diz que sua mulher mantinha um caso com Sidney.
Itacir está desde a madrugada de sábado no minipresídio de Cascavel, com o menor E.E., 17 anos. Os dois assaltaram Sidney Carneiro para roubar seu carro, o forçaram a se jogar no rio e depois jogaram Suelen – que, às vezes, acompanhava o pai em corridas. Os corpos apareceram boiando na manhã de sábado perto da ponte entre Chopinzinho e Candói. O taxista, que era casado, segundo Itacir teria ‘‘saído várias vezes’’ com sua mulher, Ivone Santos, 21 anos. ‘‘Queria apenas dar um pau nele para aprender a não se meter com mulher dos outros’’, disse Itacir. Para isso, convidou E.E..
O delegado-chefe da 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco, Pedro Cordaço, disse ontem ser definitiva a versão que os dois pediram um táxi para roubá-lo. Sidney foi chamado por telefone, e segundo o delegado, os dois não imaginavam que seu carro era um Del Rey, fora de linha e de pouco valor – por isso acabaram abandonando-o. Antes, eliminaram o taxista e a filha, com medo de serem reconhecidos nas investigações policiais.
Eles forçaram Sidney (um homem obeso) a se jogar da ponte e a seguir jogaram a menina ‘‘porque sabiam que não sobreviveriam’’. A ponte tem 35 metros de altura e o rio chega a 50 metros de profundidade. Cordaço relata que, há 1 ano, outro taxista morreu ao ser jogado da mesma ponte por assaltantes. ‘‘Estes devem ter assimilado a técnica.’’
Itacir diz ter usado uma pistola de brinquedo para assaltar Sidney, e a ter jogado fora depois. ‘‘Outra mentira, pois já sabemos de quem ele comprou a arma’’, revela o delegado. Para Cordaço, Itacir ‘‘tenta reduzir a pena’’ desviando a acusação para crime passional com pena mais leve. Ele é acusado de duplo latrocínio (roubo seguido de morte) e outros enquadramentos, cuja pena pode ultrapassar 50 anos. O menor pegará, no máximo, três anos, como prevê a legislação.

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