Polícia descarta interdição em Furnas
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Maurício Borges 
O delegado Aparecido Antônio Gregório, de Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana), descartou ontem a possibilidade de a polícia requerer a interdição das obras do linhão três de Furnas Centrais Elétricas. Ele preside os inquéritos sobre dois acidentes em torres do linhão três que vitimaram seis operários.
Gregório explicou que restam poucas torres para que a nova linha de transmissão, no trecho Foz do Iguaçu-Ivaiporã, seja concluída. Se as torres que caíram não forem reconstruídas, e a obra não tiver continuidade, esta situação compromete a estabilidade das demais torres, disse o delegado, acrescentando que estas informações lhe foram dadas por técnicos de Furnas.
A partir de hoje, com a chegada de um advogado da empreiteira Nativa, do Rio de Janeiro, responsável pela instalação das torres neste trecho, começam a ser ouvidos no inquérito, engenheiros, técnicos e operários que trabalham na obra e presenciaram o último acidente. Na tarde do dia 12, uma torre desabou matando três operários e ferindo oito, em Arapuã (180 km ao sul de Apucarana).
Segundo Gregório, o advogado da empreiteira faz questão de acompanhar os depoimentos de todos funcionários intimados pela polícia. Por este motivo, tivemos que adiar o início desta parte, que pode ser a mais importante do inquérito, comentou. O resultado da perícia nos destroços da torre, feita pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de Londrina, é aguardado pelo delegado.
Desde o acidente anterior, ocorrido no dia 21 de janeiro, o principal questionamento em relação à instalação das torres do linhão três de Furnas é a falta de segurança no trabalho. O próprio delegado Luciano Burcharles, do IC, que coordena a análise de todo o material recolhido, afirma estranhar que dois acidentes similares tenham ocorrido na mesmo região num período de três semanas.
Além da torre que desabou na sexta-feira, restam mais oito torres para a conclusão da terceira linha de transmissão de energia entre a Hidrelétrica de Itaipu e Ivaiporã, onde está instalada uma subestação de Furnas. Nos últimos meses foram instaladas 470 torres, com altura de 50 metros que, tecnicamente, teriam capacidade para suportar ventos de até 200 km por hora.


