Londrina – A Polícia Civil de Londrina acredita ter desarticulado ontem uma quadrilha que tentava instalar um núcleo de roubo de cargas na região. A ação seria feita sob encomenda do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do País. Uma operação pela manhã prendeu um casal envolvido no esquema. Um homem de 31 anos já estava preso há pouco mais de uma semana no 6º Distrito Policial (DP).
O delegado responsável pelo 6º DP, Acácio Gonzaga de Azevedo, relata que as investigações tiveram início com o registro de um suposto roubo de carga de medicamentos oncológicos em abril. Os remédios, segundo relato do motorista que levava a carga da indústria que os fabricou, em Cambé, ao aeroporto de Londrina, para distribuição, teriam sido roubados por homens armados ainda durante o trajeto. O material estava avaliado em torno de R$ 720 mil. "Márcio Félix da Silva, o motorista, alegou que teria sido abordado enquanto passava pela PR-445, em frente à TV CNT. Fomos investigar e constatamos por filmagens que conseguimos que as informações não estavam batendo", diz.
A carga, neste caso, observa o delegado, havia sido retirada do caminhão da transportadora a uma distância de 1,2 mil metros do ponto relatado pela suposta vítima. Além disso, o horário informado por Silva sobre quando teria acionado a seguradora também apresentava divergências. Averiguando ainda ligações telefônicas, a polícia constatou que ele estava envolvido na ação. "Fizemos a exposição de todas as contradições e as apresentamos à Justiça, que decretou sua prisão preventiva dele. No segundo depoimento que nos deu, ele contou que foi procurado pelo PCC 60 dias antes e negociou com eles o furto da mercadoria", assinala o delegado. Silva, conforme Azevedo, receberia 5% do valor da carga pela participação no crime.
No dia do furto, Marcos Vinícius Guimarães, de 21, e Aline Aparecida Berto Moscardini, de 25, estariam num veículo Fiat Fiorino, para onde a carga teria sido carregada. Eles foram presos ontem em Londrina, mas seriam de São Paulo. Segundo o advogado deles, Marcelo Gaya, a única relação da dupla com o motorista da transportadora é o fato de Aline ser prima da ex-mulher de Silva. "Eles dizem não ter nenhuma participação no roubo e na facção", afirma. O carro envolvido também só teria sido pego pelo casal depois do crime.
Além deles, teriam envolvimento na ação Vlademir da Silva Berto, de 23, e Flávio Marucheli da Silva, de 23. Eles tiveram a prisão decretada, mas estão foragidos. Há suspeita de que um deles esteja envolvido em um roubo de joias em Apucarana (Norte).
A carga de medicamentos furtada ainda não foi recuperada pela Polícia Civil. A suspeita é que a mercadoria tenha sido enviada para São Paulo e revendida a receptadores. Os suspeitos na ação vão responder por furto qualificado, com pena prevista de 2 anos a 8 meses de reclusão, mais associação criminosa, cuja pena prevista é de 1 a 4 anos de detenção.

mockup