Polícia deixa presos saírem armados do Ahú
Dimitri do Valle
De Curitiba
A transferência de dois detentos da Prisão Provisória do Ahú para uma audiência no Fórum de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, terminou com a fuga dos presidiários e um policial civil baleado. O tiroteio entre dois investigadores, que faziam o transporte dos presos, e os fugitivos aconteceu em frente a delegacia do município por volta das 14 horas de ontem. A direção da Polícia Civil reconheceu que houve falha nos procedimentos de segurança do presídio e dos policiais. Os criminosos estavam armados com dois revólveres calibre 38.
Os assaltantes Luiz Carlos de Siqueira e Valdomiro de Oliveira roubaram um Santana para fugir. O veículo, tomado de assalto próximo a delegacia, foi localizado uma hora depois na favela da Vila Verde, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). No interior do carro, havia vestígios de sangue. O delegado Clóvis Galvão, chefe da Divisão de Investigações Criminais, acredita que um deles saiu ferido durante a troca de tiros com os policiais. O investigador Geraldo Manes, 40 anos, foi atingido com um tiro no ombro. Ele foi internado no Hospital do Trabalhador e não corre risco de vida.
Galvão reconheceu que houve falha humana no episódio. O delegado disse que os dois policiais, que trabalham no Centro de Triagem, deveriam ter promovido uma revista antes dos assaltantes embarcarem no camburão. A revista é norma de segurança policial, disse. Os policiais pararam em frente a delegacia de Campo Largo para que um terceiro detento desembarcasse. Nereu de Abreu, condenado por estelionato, seria levado por policiais de Campo Largo até o Fórum de Ponta Grossa, onde assinaria seu alvará de soltura. Galvão acredita que ele não teve participação na fuga, pois estava em outro compartimento do camburão. Os policiais abriram a porta para que Nereu pudesse sair quando foram recebidos à bala.
Uma investigação preliminar foi instaurada para apurar quem forneceu e facilitou a entrega dos revólveres para Siqueira e Oliveira. O prazo da apuração é de 30 dias. O delegado Clóvis Galvão preferiu não comentar a suspeita de que funcionários do presídio possam ter ajudado na fuga. Ele trabalha com três suspeitas: familiares, policiais do Centro de Triagem ou agentes carcerários da Prisão Provisória do Ahú. Obviamente que houve ajuda externa, temos que saber quem fez este auxílio durante o trajeto, declarou.





