Por falta de um presídio em Ponta Grossa, cerca de 500 acusados de crimes permanecem nas ruas da cidade. Sem ter um local para onde mandar essas pessoas, a polícia simplesmente está deixando de cumprir os mandados de prisão que já foram expedidos. ‘‘Se nós capturarmos essas pessoas, não teremos para onde mandá-las’’, alega o delegado chefe da 13ª Subdivisão Policial e diretor da Cadeia Pública, Noel Muchinski da Motta.
A cadeia foi interditada no final de julho do ano passado por causa da superlotação. Ela tem capacidade para 80 detentos, mas na época havia mais de 180 presos no local. A Justiça estabeleceu, então, que deveriam ser mantidos na cadeia, no máximo, 120 presos. Mas essa meta não está sendo cumprida. Ontem, segundo Motta, 165 detentos estavam no local.
Apesar do excesso de presos, as ações conjuntas das polícias Militar e Civil estão conseguindo manter a segurança na cadeia. No ano passado, não foi registrada nenhuma fuga. A Polícia Militar tem feito operações pente-fino semanalmente na cadeia. De dezembro a fevereiro, foram encontrados 12 buracos na estrutura do prédio, alguns deles próximo de permitir uma fuga. Também foram apreendidas 12 buchas de maconha, seringas, estoques e cordas feitas com lençóis.
A interdição está provocando ainda a superlotação da carceragem da 13ª SDP, que tem capacidade para 16 presos, mas ontem abrigava 19. ‘‘Já chegamos a ter 34 presos na carceragem’’, contou Motta.
O delegado contava com a construção de um presídio industrial na cidade para resolver o problema da superlotação. Como isso não deve acontecer, mantém suas esperanças na finalização da construção da penitenciária de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Isso porque 40% dos detentos da Cadeia Pública de Ponta Grossa já foram julgados e têm direito ao regime penitenciário. Eles permanecem na cadeia devido à falta de vagas nos presídios do Estado.

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