Polícia defende trabalho na área social
Os comandos das polícias Civil e Militar em Londrina avaliam que alguns dos números apresentados pela Folha, como o aumento de adolescentes e mulheres vitimados por homicídios, representam fatores que só tendem a se agravar caso não haja ações sociais e familiares mais efetivas.
Segundo o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, a participação de adolescentes em homicídios vem se acentuando nos últimos seis meses. ''Muitos crimes estão envolvidos em um ciclo. O adolescente começa a usar drogas por volta dos 14 anos, logo está traficando, depois passa a matar por causa de dívidas e frequentemente é morto antes de atingir os 18 anos'', afirma.
André ressalta que a Polícia Civil tem desempenhado o seu papel - o de apurar as autorias dos crimes -, mas que isso jamais será suficiente para dar um fim aos homicídios caso a sociedade como um todo não encontre soluções. Como exemplo de ações que poderiam mudar essa realidade, ele cita experiências realizadas em vários países e algumas cidades brasileiras: nelas, o Poder Público encontra formas de se certificar de que crianças e adolescentes dos bairros mais violentos saiam de casa direto para a escola e vice-versa, ficando sob constante vigilância dos familiares e educadores.
Para o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, 95% dos crimes contra a vida cometidos em Londrina estão ligados ao tráfico de drogas. Nesse meio, diz ele, os adolescentes viciados ficam nas mãos dos traficantes e são obrigados a matar, ficando também expostos a morrer. ''As mulheres também estão cada vez mais à mercê do crime. Muitas vezes se envolvem no tráfico por causa dos namorados e acabam em pé de igualdade com os homens nesse meio'', assinala.
Com relação à reincidência de homicídios em certas localidades, Cruz Neto diz que a polícia já está planejando operações em determinados bairros. ''Conseguimos reduzir a criminalidade em bairros como o Jardim Nossa Senhora da Paz por meio de ações pontuais. Também já conseguimos bons resultados na Avenida Saul Elkind intensificando o policiamento. O programa de geoprocessamento que está sendo concluído pelo Estado (mapeamento do crime em todo o Paraná) deverá facilitar muito o nosso trabalho'', concluiu.
Sobre o aumento do número de suspeitos mortos em confronto com a PM, o comandante resumiu que todos os casos vêm sendo apurados dentro do órgão. ''Não é o nosso objetivo (matar assaltantes), mas se os criminosos atiram os policiais têm o direito de se defender.'' (V.N.)





