Polícia de Curitiba investiga golpe do seguro
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quinta-feira, 09 de dezembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Polícia Militar fechou ontem uma oficina que supostamente estaria funcionando como desmanche de veículos. Na oficina, os policiais militares encontraram carros segurados com queixa de furto e que estavam sendo desmanchados. As peças estavam sendo retiradas, provavelmente para serem revendidas. Um automóvel furtado e segurado que estava sendo desmanchado tinha placas de outro carro, também com queixa de furto. No início da tarde, outro desmanche foi estourado no bairro do Novo Mundo.
''Provavelmente, a oficina funcionava com o intuito de aplicação do golpe do seguro. Se for efetivada a denúncia nas investigações, os carros serão periciados para que possamos efetivamente embasar o inquérito policial'', afirmou o delegado de Furtos e Roubos de Veículos, Ronald de Jesus.
Outros 23 carros estavam na oficina. Os proprietários estão sendo localizados e podem estar envolvidos no crime. Para o golpe do seguro, o proprietário precisa participar do crime, simulando um furto ou roubo do automóvel e dando queixa na polícia, para depois receber o valor segurado. A oficina ainda desmancha o carro e pode vender as peças. Muitas vezes, o automóvel acaba sendo esquentado com outra documentação. Vários exemplos deste tipo foram investigados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos desmanches que funciona no Congresso Nacional e que já esteve duas vezes no Paraná.
A oficina foi lacrada durante a madrugada. Quatro pessoas foram detidas e serão investigadas por receptação de carro furtado e pelo artigo 311 do Código Penal (dificultar a identificação de peças). Elas ainda serão indiciadas em inquérito por porte ilegal de armas. Na oficina foram encontradas duas armas, sendo uma pistola 635 milímetros e uma garrucha 22, além de um carregador municiado de calibre 380 milímetros. Dois dos detidos respondem a outros crimes, como estelionato, receptação, lesão corporal, formação de quadrilha, uso de documento falso e dificultar identificação de peças.
De acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato das Empresas Seguradoras do Paraná, este é o tipo de golpe mais comum contra seguro de automóvel. Muitas vezes o cliente tenta dar sumiço no carro e pede ressarcimento do bem por roubo. Na maior parte dos casos, o dinheiro é repassado ao cliente por falta de provas que tenha ocorrido uma fraude. Estimativas apontam que entre 15% e 20% de todos os seguros pagos no Brasil tenham sido realizados de forma indevida. O prejuízo anual para as seguradoras gira em torno de R$ 1 bilhão.
Quem acaba pagando a conta é o próprio consumidor, que tem de arcar com seguros em valores mais altos para cobrir os gastos com as fraudes. ''É claro que a empresa não vai arcar com o prejuízo. O valor do que foi pago indevidamente já está embutido no valor mensal pago num seguro. Isso onera o valor do seguro, que poderia ser mais em conta se as fraudes não fossem tão comuns'', explicou a assessoria de imprensa.
Para reduzir as fraudes será lançado nacionalmente um número 0800, que já está funcionando experimentalmente em São Paulo. No Paraná, o serviço deverá estar disponível em novembro de 2005.


