Polícia de Bauru investiga denúncia Josoé de CarvalhoDelegado de Bauru Dinair José da Silva: ‘‘Podemos adiantar que trata-se de quadrilhas especializadas’’ O 3º Distrito Policial de Bauru abriu no dia 11 de fevereiro inquérito para investigar as denúncias de que empresas da cidade estariam sendo transferidas para um ‘‘laranja’’ de Londrina. A investigação atende pedido feito pelo promotor Hércules Sormani Neto, secretário executivo da promotoria criminal de Bauru, que foi comunicado sobre o caso pelo Ministério Público de Londrina. O delegado adjunto do 3º DP Dinair José da Silva, preferiu ser cauteloso ao comentar o assunto e disse que as investigações ainda estão no início, considerando a complexidade do caso. ‘‘Já ouvimos mais de 10 pessoas e devemos ouvir outras 10 na próxima semana. Mas podemos adiantar que trata-se de quadrilhas especializadas. Já temos suspeitos e estamos reunindo mais provas para até, se for o caso, pedir prisão temporária de alguns’’. Segundo o delegado, essas quadrilhas prestam ‘‘serviços’’ a empresários que estão sem crédito, transferindo as empresas para laranjas. Desta forma, os empresários ficam com o nome ‘‘limpo’’ na praça, podendo continuar a contrair empréstimos e outras operações bancárias. O delegado preferiu não comentar a suspeita de que as empresas estariam sendo utilizadas para lavagem de dinheiro. ‘‘São várias as hipóteses possíveis e não descartamos nenhuma.’’ Dinair da Silva disse também que já ouviu o advogado Amilton Alves Teixeira, que negou qualquer responsabilidade. Disse apenas que prestou serviços profissionais para os donos das empresas envolvidas no golpe. A mesma resposta teria sido dada para o fato de que quatro dessas empresas estariam localizadas no mesmo endereço do escritório dele, na Rua Quintino Bocaiúva. ‘‘Ouvimos as palavras de Amilton com reservas. Ele terá que dar explicações mais contundentes’’, informou o delegado. Dinair da Silva disse ainda que, por enquanto, prefere não apontar nomes de suspeitos pelas fraudes para não atrapalhar as investigações. Informou também que vai requerer exame grafotécnico para ter certeza de que a assinatura de Antônio Aparecido Silva foi falsificada. ‘‘Estamos analisando todas as condutas para saber até que ponto as pessoas foram realmente enganadas ou contribuíram de alguma forma. Vamos analisar todas as hipóteses.’’ A Folha tentou localizar Amilton Alves Teixeira, no endereço do escritório dele, na área central de Bauru. Mas o imóvel foi desocupado há uma semana e o advogado não foi encontrado. No mesmo endereço também funcionariam as outras três empresas fantasmas – Ourinhos Brasil, Transworld e Itaipu Brasil. ‘‘Tiraram tudo daí e não sei para onde eles foram; só vi o movimento’’, informou um vizinho, que não quis se identificar. A proprietária do imóvel, que também não se identificou, disse que os inquilinos ficaram no prédio durante aproximadamente um ano e nunca deram qualquer tipo de problema. O nome do advogado não consta em lista telefônica e os dois números de telefones (celular e fixo) do cartão de visitas, deixado com a proprietária do imóvel, estão desligados. Na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Bauru, os números dos telefones não foram atualizados. O imóvel onde funcionaria a Duquecell Telefonia Celular, na Avenida Duque de Caxias, também em Bauru, foi desocupado há cerca de um mês e ainda não foi alugado. A imobiliária responsável pela locação informou que não conhece os antigos inquilinos porque o imóvel tinha sido alugado diretamente pelo dono. Uma curiosidade é que, na fachada do prédio, o nome fantasia que consta não é Duquecell, mas Megacell Telefonia Celular. A empresa estava instalada exatamente ao lado da Telesp Celular, numa das avenidas mais movimentadas de Bauru. (L.H.)