Cascavel - O delegado da 15 Subdivisão Policial (SDP), Tadeu Bello, acredita ser possível encerrar o inquérito criminal que apura as denúncias de desvios de dinheiro do Hospital Universitário (HU) de Cascavel ainda esta semana. Ontem ele ouviu os últimos depoimentos, entre eles o de um vereador, acusado pelo reitor afastado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Wilson Iscuissati, de ter pressionado servidores da universidade para obter cargos no hospital.
De acordo com a documentação entregue à polícia, com os depoimentos prestados e com as provas obtidas por meio das investigações, o esquema de fraudes no HU funcionava por meio de pagamento de notas frias, de compra de mercadorias que não eram entregues e prestação de serviços fantasmas. Até agora, foram ouvidas 30 pessoas, das quais oito foram indiciadas. Segundo o delegado, ''todos foram indiciados por peculato, por conduta própria ou porque concorreram para a prática do crime''. Até o final do inquérito, os envolvidos ainda podem ser indiciados pela prática de outros crimes, entre eles formação de quadrilha, disse.
Além do inquérito policial, está em andamento um inquérito civel, presidido pelo promotor Ângelo Ferreira, que tem como objetivo instruir uma possível ação civil pública para tentar devolver aos cofres públicos o dinheiro desviado da Unioeste e do HU. ''Faremos o rastreamento de cheques e contas bancárias, além de escutar as testemunhas que ainda não foram ouvidas ou que precisam prestar depoimento novamente'', disse Ferreira.
Iscuissati foi ouvido, anteontem, pelos promotores Andréa Simone Frias e Luciano Machado de Souza a respeito da existência de uma ''máfia de branco'' dentro do HU. Ele afirmou que as denúncias têm relação com a transferência de equipamentos, de pacientes e altos salários de médicos.
De acordo com a promotora, o reitor afastado tomou conhecimento dos problemas por meio de funcionários da universidade e não tem provas concretas. ''Ele disse que pediu a abertura de um procedimento administrativo para apurar as denúncias'', acrescentou.
Iscuissati não foi localizado pela reportagem.

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