Polícia conclui, enfim, inquérito do caso Cristian
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
O inquérito policial que apura o tiroteio num bar da vila Siam (zona leste) em junho do ano passado foi concluído ontem. No tiroteio, três pessoas ficaram feridas. Uma delas, o estudante Cristian Moretto, 19 anos, morreu em abril, depois de passar cinco meses hospitalizado. O delegado responsável pelo caso, Antonio Zuba de Oliva, pretende encaminhar o inquérito ao Fórum hoje.
No inquérito estão relatadas as lesões corporais graves contra o encarregado de serviços gerais Charles Roger da Silva, 26 anos, e Edenildo Rodrigues da Silva, 22, e a morte de Cristian. Os irmãos Joel e Rubens Mendes de Queiroz, de 30 e 32 anos, confessaram o crime. Os dois continuam em liberdade.
Segundo o delegado, o inquérito só não foi concluído antes por falta do laudo de exames complementares de Roger. Os laudos são requisitos legais dos inquéritos, ressalta. Amigo de Cristian, Charles foi atingido com dois tiros - um no rosto e outro na axila direita. Logo depois que saiu do hospital, em meados de junho do ano passado, Charles fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.
Diante da gravidade dos ferimentos, segundo o delegado, o caso de Roger pedia exames complementares para saber as consequências das lesões. Roger deveria ter feito novos exames no dia 26 de março. Pequei a requisição numa quarta-feira, fui ao IML, mas o médico só faz o exame nas terças-feiras, disse ele ontem. Com o braço direito ainda engessado, Roger afirma que foi impedido de voltar ao IML por causa de um acidente de moto que acabou resultando em infecção no fígado.
Apesar do delegado afirmar que Roger teria sido novamente intimado a comparecer no 2º DP ontem, o encarregado de serviços gerais nega ter recebido qualquer intimação. Para mim estava tudo resolvido. Não soube de nada, disse. Zuba de Oliva pretendia expedir um mandado de condução coercitiva para obrigá-lo a ir ao IML. Ele era amigo do Cristian. Ele não se recusaria a fazer os exames, até porque também é vítima daquela tragédia, argumenta a mãe de Cristian, Nadir de Medeiros Pereira, que acompanhava Roger ontem.
Indignada com a demora na apuração do crime, Nadir quer saber sobre o laudo de balística. O exame do projétil que atingiu Cristian só pôde ser feito durante a necrópsia, em abril. Ela explica que a bala não foi retirada antes porque a cirurgia de extração poderia comprometer o estado de saúde de Cristian, que era muito grave. Até agora esse laudo não ficou pronto. O delegado afirma que nesse caso o laudo de balística não é necessário porque a Polícia tem a arma usada e os responsáveis já confessaram o crime.


