O policiamento comunitário praticado no Paraná está em sintonia com os principais programas de segurança pública executados em outros países e grandes cidades do mundo. É o que afirmaram ontem autoridades estaduais que participaram do 2º Curso de Aperfeiçoamento em Direito Criminal, em Londrina, promovido pelo Ministério Público (MP), Tribunal de Justiça e Escola de Magistratura do Paraná.
Pela manhã, foram expostas experiências de 29 países e sete grandes cidades em relação à segurança pública. Para o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Jorge Azôr Pinto, essas experiências mostram que o sucesso de programas nessa área não depende do tamanho do efetivo policial. ''Está comprovado, no mundo todo, que não é o número de policiais que faz com que haja redução na criminalidade. Uma das principais críticas ao Tolerância Zero, por exemplo (programa implantado em Nova Iorque), é que empregou um número exagerado de policiais, cerca de 40 mil, e não teve os resultados esperados'', comentou.
O secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, usou o mesmo raciocínio para contestar as críticas sobre a insuficiência do efetivo da polícia em Londrina. ''A falta de policiais depende muito do ângulo que você verifica. Não existe no mundo uma polícia que dê conta da demanda da população. Cada um quer ter um policial na porta de casa, em cada propriedade rural, mas a polícia não é onipresente, não há como ter um policial em cada propriedade rural'', ressaltou.
Delazari argumentou que o Estado está ''extremamente atualizado'' em termos de segurança pública e disse que ''o que fazemos aqui é o que existe de mais moderno no mundo'', contradizendo reclamações constantes entre policiais civis de que a estrutura física e tecnológica do setor é precária. ''Temos uma histórica choradeira dos policiais, que é injustificada. Muitas vezes o que falta não é estrutura, mas iniciativa. É muito comum, por exemplo, o colega reclamar de sua delegacia, quando não fez sequer um plano de reforma para ela. Temos setores e verba para isso, mas o delegado não corre atrás'', assinalou Azôr Neto.
O comandante da Polícia Militar (PM) no Estado, David Antônio Pancotti, destacou que países como Canadá, Estados Unidos, França e Japão trabalham com a filosofia do policiamento comunitário e têm resultados visíveis. Por isso, ele acredita que, no Paraná, a PM deve incrementar programas que já existem, como o Patrulhamento Volante Ostensivo (Povo) e a Patrulha Escolar. ''Estamos diariamente investindo numa mudança de propósitos, do paradigma de uma polícia reativa para uma polícia que possa ser pró-ativa, ter contato com a comunidade'', explicou.
Pancotti anunciou que, ainda este ano, deverá ser posto em prática o ''boletim único'' de ocorrência, integrando boletins de ocorrência (B.O.s) e Termos Circunstanciados de Infração Penal (TCIPs) de todo o Paraná. Segundo ele, os policiais estão sendo capacitados para o preenchimento do boletim único, que irá alimentar um programa de geoprocessamento com dados para o mapeamento da criminalidade no Estado.

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