O delegado do 1º Distrito Policial (DP), Marcos Belinati, recebeu ontem um relatório da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) com informações colhidas por funcionários da empresa, assim como 34 fotos das manifestações ocorridas durante a última semana. Ele ouviu ainda o gerente de tráfego da TCGL, Daniel Martins, e o presidente da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (Ules), Tiago Andrei de Abreu. Belinati é o responsável pelo inquérito que investiga o tumulto ocorrido no último protesto, na sexta-feira.
Martins informou que estava no Terminal Urbano durante o tumulto, mas que não viu quando Anderson Amaurilio da Silva, 21 anos, foi atropelado por um ônibus da empresa. ''Era muita gente, nem tinha condições de chegar perto do ônibus'', apontou. Ele disse ainda que a ordem da empresa era para que os ônibus parassem de circular e só retormassem o trabalho quando a ordem estivesse reestabelecida. Segundo ele, a Polícia Militar, que estava no terminal para controlar a situação, teria orientado o motorista a sair com o veículo.
O presidente da Ules contou que chegou ao local quando os policiais já estavam encaminhando Amaurilio para o hospital. Ele afirmou que a entidade em momento algum incentivou esse tipo de manifestação. ''A gente pautou outra forma de agir, trazendo debates para as escolas''.
Abreu denunciou ao delegado que durante a manifestação várias vans ''despejavam'' pessoas dentro do terminal que não seriam estudantes. ''Tinha gente citando nome de ex-prefeito lá dentro e acredito que eles aproveitaram um horário em que haveria muitos estudantes para incitar a manifestação. Eles (os estudantes) são novos e não conhecem o jogo político da cidade.''
O delegado ouve hoje o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Wilson Sella, e o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães. Ele informou que vai analisar o dossiê e também as imagens gravadas pelas emissoras de TV locais. ''Vamos levantar os responsáveis pelos confrontos que resultaram em atropelamento e em ônibus depredados. No mínimo, temos uma lesão corporal que pode ser culposa, além de danos materiais'', avaliou.
Sobre Neri Soares da Silva, que dirigia o ônibus que atropelou Amaurílio, Belinati disse que ele não foi convocado para comparecer à 10 SDP porque já havia prestado depoimento na Delegacia de Trânsito. ''Recebi cópia das declarações, em que ele reafirma que não houve intenção de atropelar o rapaz. Convocaremos por último'', comentou Belinati, evitando falar se o motorista afirmou ter ou não recebido ordem dos policiais para sair com o veículo do terminal durante o tumulto.
Além do atropelamento, o delegado também investiga as denúncias sobre supostas interesses políticos que estariam por trás das manifestações estudantis.

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