Polícia começa a ouvir testemunhas de tiroteio em agência bancária
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
No dia seguinte à invasão, os clientes do Banco do Brasil que tiveram que realizar serviços ontem na agência central na Avenida Paraná, no Calçadão de Londrina (região central), demonstravam temor em relação à segurança. O local foi invadido por Gabriel Ferreira dos Santos, de 28 anos, na tarde da última terça-feira. Ele estava armado com três revólveres, trocou tiros com a polícia e acabou ferido. Outras quatro pessoas ficaram feridas sem gravidade. Ontem pela manhã, a Polícia Militar reforçou a segurança em frente ao banco.
As marcas do tiroteio que levou pânico ao centro da cidade ainda eram evidentes nos caixas-eletrônicos, nas vidraças e na mente dos clientes. O office-boy Elisson Luis de Quadros, 21 anos, esteve na agência meia hora antes de Santos invadir o local atirando. ''Todo dia passo nesse banco e acho que só o guarda não adianta. É preciso instalar um detector de metais'', reclamou. A comerciante Ivete Agassi, 43 anos, iria usar o caixa-eletrônico na terça-feira mas acabou se atrasando. ''Isso pode acontecer de novo porque acho a segurança falha. A gente mexe com dinheiro nos caixas e todo mundo fica do lado, olhando, e os guardas ficam lá no fundo da agência.
O delegado titular do 1º Distrito Policial, Marcos Roberto Belinati, pretende ouvir Santos assim que ele sair da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Ele se recuperava bem dos ferimentos, mas continuava em observação porque perdeu grande quantidade de sangue. Belinati instaurou inquérito policial e Santos deverá ser indiciado pela prática de assalto, já que consumou o roubo contra o sargento da Polícia Militar, Francisco da Silva, e tentativas de homicídio e latrocínio. A Polícia também investiga se estava sozinho ou acompanhado por mais uma pessoa.
Ontem pela manhã o delegado ouviu o feirante Yoshio Kuriki, de 48 anos, que foi ferido por um tiro de raspão nas costas. À tarde, quem depôs foi a funcionária do Banco do Brasil, Luiza Akemi Tanioka Tsuji, que prestava atendimento na área dos terminais no momento da invasão. Belinati também pretendia requisitar as fitas com as gravações feitas pelas câmeras do circuito interno de segurança. O banco, entretanto, alegou que só as entregaria com ordem expressa do Ministério Público.
A polícia pouco conseguiu descobrir sobre o passado de Santos. O único documento que ele portava era uma carteira de identidade feita em São Paulo, onde consta que teria nascido em Carinhanha, no interior da Bahia, que a Polícia apura se é fria ou não. ''Pelo nome que está no documento ele não tem antecedentes criminais'', destacou o delegado. No município baiano, também não há qualquer registro contra Santos nos últimos 10 anos, declarou o delegado, Antônio Silva Cordeiro. Com uma população aproximada de 20 mil habitantes, Carinhanha sofre com o problema da seca. Por isso, os moradores procuram oportunidades em grandes centros, como Goiânia (GO), Brasília (DF) e São Paulo.


