Polícia combate violência nas escolas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Lucinéia Parra 
Para reduzir a violência nas escolas, a Polícia Militar criou um grupo especial de policiais que fazem um trabalho de investigação à paisana em Maringá. Durante o patrulhamento escolar realizado nos meses de agosto e setembro, os policiais recolheram diversos objetos que denunciam a violência entre os estudantes.
Canivetes, taco de beisebol, soco inglês e até a chamada garra de urso (instrumento cortante de ferro imitando a pata do animal) foram encontrados entre os estudantes que se envolveram em brigas e ações de vandalismo. Os objetos são usados em brigas entre grupos, geralmente na saída das aulas. A polícia encontrou também nas imediações das escolas material usado para a inalação de crack.
A PM deve começar, a partir da semana que vem, um sistema de patrulhamento mais rigoroso nas escolas, com vistorias, inclusive, nas bolsas e mochilas dos alunos. A nova forma de abordagem policial está sendo discutida com o Juizado de Menores e Adolescentes, já que o objetivo é reduzir a violência nas escolas.
De acordo com o comandante do 4º BPM, Máximo Fim, a violência nos estabelecimentos de ensino está aumentando a cada dia. Ele pede para que os pais conversem com os filhos ao perceber qualquer alteração no comportamento deles. Os pais têm que orientar os filhos e tentar impedi-los de levar para as escolas objetos perigosos que induzem à violência, diz. Segundo ele, a apreensão da garra de urso que estava com um aluno demonstra claramente como os estudantes estão se armando para as brigas. Se um aluno passar essa garra de urso no rosto do adversário o estrago será enorme.
Só no mês de agosto a PM atendeu 30 ocorrências nas escolas de Maringá. Em setembro, o número aumentou para 36. A maioria das ocorrências é por perturbação da ordem, suspeição de delito, porte de maconha, porte de arma branca e vandalismo.
Conforme o comandante, a violência ocorre tanto nas escolas públicas quanto nas privadas. O período mais crítico é a tarde, na saída das aulas; e à noite. Os estudantes começam a formar grupos e aí começam as brigas entre os rivais, relata o comandante. O porte de maconha também é frequente e em muitos casos, conforme levantamento da PM, os estudantes, além de usuários, são também traficantes.
Na maioria das escolas onde as ocorrências são mais frequentes os próprios professores e orientadores evitam denunciar a violência. Eles fazem vistas grossas porque têm medo de sofrer represálias. No máximo, o que estes profissionais fazem é comunicar os pais sobre o problema ocorrido com o aluno na escola.
De acordo com o tenente Ademar Paschoal, nas escolas com cercas ou muros precários, e nas quais os alunos não usam uniforme, o índice de ocorrências é bem maior. Ele explica que estes fatores dificultam a fiscalização e facilitam a entrada de pessoas estranhas nas escolas. Se a escola tem muros, de preferência altos, e os alunos usam uniforme, é mais fácil identificar um sujeito estranho que se infiltra entre os estudantes para traficar ou criar qualquer problema, explica.
Estes policiais conversam com os professores, com os alunos e conseguem chegar até o traficante ou à pessoa que está causando problemas na escolas. Os policiais não chegam a fazer abordagens de repressão à violência porque não podem se expor, mas informam o comando quais os problemas de cada estabelecimento. Conforme Paschoal, a atuação dos policiais à paisana é necessária porque se eles forem fardados nas escolas, nem as professores e orientadores denunciam os autores das ações de vandalismo.


