Polícia Civil une meninos ricos e pobres
Vânia Moreira
De Umuarama
Até dois meses atrás, os estudantes Leandro de Souza Pereira, 9 anos, e Claudemir da Silva Fagundes, 14 anos, o Paquinha, não se conheciam. Filho do superintendente da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Carlos Pereira, 40 anos, Leandro mora no centro da cidade. Filho do pedreiro Antenor Fagundes, Claudemir mora no Parque das Jaboticabeiras, um dos bairros mais carentes de Umuarama.
Agora, os dois jogam futebol juntos toda semana, se visitam e já viraram amigos. Leandro e Paquinha fazem parte de um projeto criado pela Polícia Civil de Umuarama, que busca aproximar meninos ricos e pobres através do futebol para ensiná-los a se respeitar, superar os preconceitos, trocar experiência de vida e oferecer oportunidades aos garotos carentes.
Batizado de Polícia Civil Faz. Integração é a Solução, o projeto reúne 24 meninos de classes sociais diferentes, na faixa de 8 a 14 anos, que gostam de futebol e demonstram talento. O grupo reúne desde filhos de bóias-frias que moram em favelas ou bairros muito carentes a filhos de funcionários públicos e profissionais liberais.
Os meninos se encontram na sede da Associação da Polícia Civil de Umuarama três vezes por semana para treinar, assistir palestras e vídeos educativos. Também fazem festinhas na associação e encontros em casa. As atividades são realizadas às segundas, quartas e sextas-feiras à noite.
Idealizador do projeto, Carlos Pereira diz que integrar meninos carentes e crianças com melhor padrão de vida dá mais resultado do que trabalhar somente com grupos de menor poder aquisitivo.
Na convivência, os meninos pobres aprendem regras de higiene, comportamento e disciplina com os colegas. Travam contato com um mundo diferente e podem se sentir motivados a lutar por uma vida melhor. Segundo Pereira, os garotos de classe média também têm muito a aprender com os colegas de menor poder aquisitivo, como ser mais humildes e tratar todas as pessoas com igualdade e respeito.
Moradores no Parque Industrial, os gêmeos Rogério e Ronaldo Corsi Rodrigues, 11 anos, ficavam até tarde da noite andando pelas ruas do bairro, um dos mais pobres e violentos da cidade. Antes a gente não tinha nada interessante para fazer, diz Rogério. Agora participam das atividades na Associação da Polícia Civil e treinam muito para fazer parte do time titular.
Quase todos os meninos são bons de bola e alguns já estão se destacando. No primeiro amistoso contra o time infantil do Umuarama Futebol Clube, no Estádio Lúcio Pepino, a equipe mirim da Polícia Civil venceu por 2 a 1. Os garotos vibraram. Goleiro, Leandro disse que não esperava vencer o time formado há mais de três anos.
Carlos Pereira comanda todas as atividades. Busca e leva os meninos em casa com o próprio carro ou os carros da polícia. Sai em busca de doações no comércio para equipar o time e promover as confraternizações do grupo e convida profissionais para ministrar palestras aos meninos.
O funcionário da prefeitura, Gregório Sérgio Uliana, 22 anos, que presta serviços da delegacia e entende muito de futebol, atua como técnico do time. Queremos formar uma equipe de alto nível para disputar jogos em todo o Estado e transformar estes garotos em jogadores profissionais, planeja.
O delegado Silvan Rodney Pereira, que deixou na semana passada a chefia da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama para assumir a chefia de gabinete do delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, vai sugerir a implantação de projetos semelhantes em outras delegacias do Estado. Quando eu apresentei a idéia da escolinha ao Dr. Silvan, ele me deu carta branca para colocá-la em prática, disse o superintendente da delegacia. Agora ele vai assumir um cargo na cúpula da Polícia Civil e levar a proposta para a Secretaria de Segurança Pública, informou Pereira.Projeto da 7ª Subdivisão Policial usa o futebol para aproximar crianças de classes sociais diferentes
Fotos Ricardo AbreuINTEGRAÇÃOAlém do futebol, palestras e vídeos educativos reúnem os meninos na associação da polícia; ao lado, os irmãos Rogério e Ronaldo que, antes do projeto, perambulavam pelas ruas do bairro mais violento da cidadeLeandro e Claudemir, o Paquinha, se conheceram durante as palestras e o futebol na associação dos policiais e hoje são grandes amigos: o primeiro é filho do delegado e o outro de um pedreiro





