Curitiba Embora tenha um efetivo bem menor que a Polícia Militar (PM), a Polícia Civil (PC) com cerca de 4 mil mil membros na ativa é campeã em número de denúncias de atos ilícitos entre seus membros. Levantamento fornecido à Folha por órgãos oficiais revelou que, dos quase 700 policiais civis e militares que estão sendo investigados no Estado e que poderão ser punidos criminal e administrativamentem, 79% envolvem policiais civis. A PM, com 18 mil pessoas na ativa incluindo o Corpo de Bombeiros , responde pelos 21% dos procedimentos restantes.
O alto número de de procedimentos abertos contra policiais civis, porém, não significa que todos serão punidos. A punição para delegados e investigadores acontece, em média, em apenas 10% dos casos. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto Abreu de Oliveira, isso se deve ao fato da não comprovação das denúncias. ''Para punir é preciso haver materialidade'', justificou. Abreu disse que são poucos os policiais que respondem por diversos procedimentos internos. ''São cerca de 200 policiais que foram denunciados várias vezes. É uma minoria que faz parte desta triste estatística'', afirmou.
Na tarde de anteontem, o Conselho de Polícia Civil deveria ter analisado e decidido o caso de sete policiais civis três deles, delegados de carreira cujos casos pedem pena de demissão. Porém, os nove integrantes do Conselho preferiram não votar e deixaram a decisão para a semana que vem. ''Acho que houve um certo receio por parte dos integrantes do conselho'', interpretou o delegado-geral.
Já a Auditoria Militar demitiu, em maio, 10 PMs condenados por crimes diversos, como concussão (extorsão cometida por funcionário público no exercício da função) e corrupção passiva (receber suborno em benefício próprio). De acordo com o comandante da Polícia Militar do Paraná, coronel David Pancotti, todos os meses são assinadas demissões de PMs que tenham sido julgados e condenados. ''Preferimos ter menos policiais na corporação a ter policiais corruptos'', afirmou.
Para Pancotti, as punições aplicadas a PMs são mais rígidas do que as aplicadas pela Justiça comum. ''Não existe corporativismo ou protecionismo. Temos que fazer com que a corporação tenha sempre uma boa imagem junto à população paranaense'', afirmou.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) informou que a meta é combater severamente a corrupção dentro da polícia, afastando os maus policiais. Ao mesmo tempo, disse que a secretaria valorizar o bom profissional com uma política salarial adequada à realidade brasileira, o que poderá ocorrer ainda este ano.

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