Marcelo AlmeidaDroga foi queimada em forno de mineradora de cal em Rio Branco do SulCerca de 400 quilos de maconha - avaliados em R$ 800 mil - foram incinerados ontem à tarde pela Delegacia Antitóxicos de Curitiba. A queima foi feita no forno da mineradora de cal Nodari, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana. ‘‘A quantidade poderia ser maior, mas só é possível incinerar a droga relacionada a um processo com sentença transitada em julgado, a que não cabe mais recurso’’, disse o delegado Luciano de Pinho Tavares.
A afirmação de Tavares é para justificar o fato de haver mais 100 quilos de maconha em estoque na Delegacia Antitóxicos. Essa quantidade está ligada a casos espalhados por diversas varas criminais, ainda sem decisão judicial. Já houve ocasião em que quase uma tonelada da droga ficou armazenada. De acordo com o delegado, o tamanho do estoque depende muito da agilidade no julgamento dos processos.
A maior parte da maconha incinerada - 375 quilos - havia sido apreendida no dia 20 de agosto de 1995. A droga estava com Aparecido Pereira da Silva, Sílvio de Souza e Sandir de Souza Sebastião, já condenados por tráfico e atualmente detidos no Presídio do Ahú. O delegado Tavares informou que uma pequena quantidade de cocaína, inferior a dois quilos, também foi queimada em Rio Branco do Sul.
O delegado também se manifestou sobre recente declaração do Procurador de Justiça Dartagnan Abilhoa, que acusou a polícia de manter droga em estoque para forjar flagrantes e esconder erros como o que resultou na morte do estudante Rafael Rodrigo Zanella. ‘‘Daqui da delegacia não saiu maconha para isso’’, garantiu Tavares. Segundo ele, os entorpecentes guardados ali ficam em um cofre lacrado ao qual só o delegado Adauto Abreu de Oliveira tem acesso.
Tavares ainda fez comentários sobre a parceria com o Ministério Público, que tem um representante na delegacia. ‘‘O trabalho conjunto acelera as investigações porque fica mais fácil pedir escuta telefônica e prisão temporária’’, revelou o delegado. Ele não considera ‘‘ingerente’’ a presença do promotor Paulo Kessler, que acompanhou a incineração.

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