A Polícia Civil de Londrina não vai fornecer alvará de licença para o funcionamento da boate Cinema Café enquanto não forem feitas modificações no prédio, solucionando problemas de acústica. Inaugurada no último sábado, a boate foi motivo de muita reclamação entre a vizinhança da rua Pandiá Calógeras, no jardim Shangri-Lá (zona oeste) por causa do vazamento de som. Segundo o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, nove pessoas registraram queixa na polícia, no domingo, devido ao barulho causado pela Cinema Café.
‘‘Perturbação do sossego público é crime previsto em lei’’, diz Fernandes. O delegado afirma que não irá fornecer o alvará enquanto os proprietários da Casa não providenciarem a regularização da acústica do local. ‘‘Os donos podem abrir a Casa. Mas não podem executar nenhum tipo de música, nem ao vivo e nem mecânica.’’
O sócio-proprietário da boate Cinema Café, Clayton Herpich, conta que cerca de 30 pessoas estão trabalhando no local para tentar pelo menos diminuir o problema de acústica até o próximo sábado, quando deve acontecer o show da banda J. Quest. No caso de cancelamento do show, os quatro proprietários da boate teriam que arcar com um prejuízo estimado entre R$ 30 mil e R$ 40 mil.
Dos R$ 700 mil investidos na obra, R$ 50 mil foram gastos na importação e colocação do forro, que é norte-americano. ‘‘Um dos problemas é que faltou um pedaço do forro, que deve chegar ainda hoje. Também estamos cuidando da vedação de algumas portas’’, diz ele, reclamando que a chuva tem atrapalhado os trabalhos no local. ‘‘No máximo em 30 dias, o problema de acústica estará totalmente solucionado. No próximo final de semana, o barulho deve diminuir 40% em relação ao sábado passado com as medidas que estão sendo tomadas.’’
Segundo Herpich, os fiscais da Prefeitura detectaram a saída de 69 decibéis da boate no sábado à noite. ‘‘É permitida a saída de até 40 decibéis’’, diz. A boate, que gera 80 empregos diretos, funciona somente aos sábados. O empresário diz ter obtido licença provisória junto à Prefeitura, com validade até 6 de março do próximo ano.
‘‘Esta licença só pode ser conseguida com a apresentação de um projeto de acústica. Temos este projeto. Só que ele ainda não está no padrão exigido pela Prefeitura’’, diz Herpich. ‘‘Mas a gente só consegue saber a dimensão do som com a boate aberta. Sem funcionar, não daria nem para fazer as medições.’’
A arquiteta Silvana Vaz Tuniolo Dominguez, responsável pelo projeto de tratamento acústico da boate, diz que só depende da chegada do material que será utilizado na cobertura do prédio para concluir as obras. Ela vai usar materiais que sejam absorventes de som, na parede, nas portas e no forro. A arquiteta acredita que não haverá tempo de concluir os trabalhos até sábado. ‘‘Mas neste final de semana já teremos um resultado diferente.’’
O delegado Wanderci garante que, para tocar música, a Cinema Café precisará ter a licença. Ele explica que os propretários correm o risco de ser presos se insistirem em abrir a casa sem o alvará da Polícia Civil.

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