Polícia Civil lidera reclamações
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Rosana Félix 
Curitiba A Polícia Civil, mesmo com um efetivo de apenas 3,5 mil homens, foi motivo de 44% das 1.126 reclamações feitas à Ouvidoria da Polícia do Estado do Paraná entre agosto de 2000 e julho de 2001, o primeiro ano de atuação do órgão. A Polícia Militar (PM), com 20 mil homens, aparece em segundo lugar, com 23,4% dos atendimentos.
Porém as instituições se assemelham no teor dos atendimentos. Dos 495 feitos sobre a Polícia Civil, 58% foram para fazer alguma denúncia, 40% para reclamações e 2% para elogios. Nos 263 atendimentos sobre a PM, esses números foram de 44%, 55% e 1%, respectivamente. A Ouvidoria também recebeu reclamações contra pessoas que não são funcionários públicos. Foram 349 contatos (31%) denunciando desmanches de carros e pessoas envolvidas com tráfico de drogas, por exemplo.
Entre as principais reclamações feitas à Ouvidoria estão mau atendimento (17%), solicitação de policiamento (13%), vantagens ilícitas (9%), tráfico de drogas (9%), abusos físicos (7%) e economia interna (5%), que trata de denúncias dos próprios funcionários de um órgão.
A Polícia Civil tem destaque negativo nas reclamações feitas por mau atendimento, com 59% dos 191 atendimentos sobre o assunto e no que se refere a vantagens ilícitas (87% de 101 atendimentos). Já a PM figura com 42% das 80 reclamações sobre abuso físico e 78% das 56 denúncias de economia interna. Das 101 denúncias envolvendo drogas, quatro envolvem a PM e nove a Polícia Civil.
O corregedor da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, afirmou que o mau atendimento à população pode ser explicado pelos rendimentos inadequados ao risco da função. Os policiais civis têm todo o ônus da investigação e da guarda dos presos, disse. Ele afirmou que desde que a corregedoria foi criada, há quase um ano, foram cumpridos 29 mandatos de prisão dentro da corporação, ante apenas três em 2000.
Oliveira disse que até março devem ser desligados da corporação vários policiais que estão respondendo por 330 processos disciplinares. Mas ele defendeu a idoneidade dos policiais. Quando ocorre alguma extorsão dentro de uma delegacia é mais fácil reclamar do que quando um policial rodoviário faz isso, avaliou.
O comandante geral da PM, Gilberto Foltran, afirmou que muitas vezes é preciso uso de força pelo policial. O PM atua em uma situação de emergência, e algumas vezes o uso da força pode ser interpretado como violência, relatou. Segundo ele, todas as reclamações de economia interna não têm relação com má administração, mas às vezes por rixas entre batalhões ou falta de informação sobre atos legais.


