Polícia Civil investiga tráfico de criança
Albari RosaArrependimentoAo lado do filho mais velho, Abner, Maria do Nascimento chora pela falta do bebê levado por mulher
Polícia Civil investiga tráfico de criança
A servente Maria do Nascimento é acusada de trocar o filho recém-nascido por material de construção em Pontal do Paraná
James Alberti
A adoção ilegal de um menino, filho da servente Maria do Nascimento, 38 anos, de Pontal do Paraná, Litoral do Estado, pode ter posto o Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride) frente a frente com uma quadrilha de tráfico de crianças. Além deste, o Sicride investiga outros dois casos (veja ao lado).
O filho de Maria nasceu no dia 26 de abril deste ano e dois dias depois, menos de 30 minutos após sair do Hospital de Paranaguá, foi entregue pela mãe para Jurema Marcondes Frumento, 36 anos, e um casal, identificado como Ricardo e Luiza Helena. Conforme Maria, os três a teriam assediado durante toda a gravidez a entregrar a criança. Eles, no entanto, repassaram o bebê para um casal do Mato Grosso, ainda não identificado.
Desde que entregou o filho, Maria nunca mais viu a criança nem as pessoas que teriam prometido melhorar sua vida e a do filho maior, Abner do Nascimento, 13 anos. Ao denunciar o caso no Sicride, Maria afirmou que Jurema lhe pediu para verificar no hospital se haviam outras mães interessadas em doar os filhos. Para o delegado do Sicride, Harry Herbert, isso é um indício de que outras crianças podem ter sido adotadas da mesma forma. Vamos investigar se existem outros casos envolvendo essas mesmas pessoas, disse o delegado.
Ontem, Jurema Frumento, que é mulher de um funcionário do Banestado, depôs no Sicride e confirmou ter intermediado a venda da criança. Conforme Herbert, ela havia oferecido pelo bebê R$ 11,5 mil, a maior parte em material de construção, mas não teria cumprido o acordo com mãe. Maria teria, então, exigido um cheque de R$ 15 mil para este mês, motivo pelo qual as duas brigaram e que levou Maria à polícia.
A auxiliar, porém, negou que tenha vendido o filho. Ela afirmou que estava desesperada e que foi enganada por Jurema e pelo casal. Separada há sete anos, Maria ganha R$ 130,00 e temia não poder sustentar a criança.
A Folha tentou contato com Jurema por telefone. Uma pessoa, que se identificou como empregada, disse que ela não estava e desligou. No instante seguinte a reportagem ligou duas vezes seguidas, mas ninguém atendeu.





